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Jibóia

Masala

Lovers & Lollypops, 2016-02-08

EM LOOP
  • Lisboa
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Pedro Miranda

Depois de um bom tempo longe da ribalta, Óscar Silva retorna com oito músicas para lembrar de onde vinha afinal o seu apelo. E não aparenta vir de um sítio só, embora a sonoridade nunca deixe esquecer os bons ares do Oriente: cada faixa remete para um local distinto, embebido na sua própria mística e de onde Jibóia retira pequenas influências que adapta ao seu já estabelecido estilo.

Economiza nos vocais, traz à mesa secções rítmicas mais orgânicas (que, aliás, concordam melhor com a tradição musical que procura reinventar), mas nunca facilita a vida ao ouvinte, que se vê em quase todos os momentos enclausurado pelo seu característico e claustrofóbico psicadelismo. Chamar gasta ou redundante à fórmula de Jibóia não seria, porventura, fugir muito à verdade, não soubesse o multi-instrumentista apoiar-se nos seus fortes enquanto deambula hipnótico pelas faixas de “Masala”.

A cobra vai tecendo pequenas maravilhas a quem para elas tem ouvido

No pior dos resultados, a sua estrutura cíclica pode falhar em captar emocionalmente ouvinte, aproximando-se da berma do moroso. Nos melhores (e estes estão, feitas as contas, em muito maior número), a combinação certa de ritmos e timbre torna imparável a distorção da sua guitarra, com que a cobra vai tecendo pequenas maravilhas a quem para elas tem ouvido.