Prophets Of Rage, "Façam Portugal Enraivecer Novamente!"

Prophets Of Rage, “Façam Portugal Enraivecer Novamente!”

26/08/2019

Na última noite do EDP Vilar de Mouros 2019 voltou-se a levantar pó na estreia dos Prophets Of Rage em Portugal. O supergrupo apresentou uma setlist densa onde constavam temas de Rage Against The Machine, Public Enemy e Cypress Hill.

A estreia dos Prophets Of Rage em Portugal já era há muito esperada. Recordamos por exemplo que a última vez que os já extintos RATM se apresentaram por cá foi há cerca de 11 anos no Festival Optimus Alive, numa tour de reunião que voltava a juntar 3 dos elementos dos Prophets Of Rage (Tom Morello, Tim Cummerford e Brad Wilk) a Zack de la Rocha. O resto da banda é composta por elementos de grupos de hip hop “old school”, o rapper Chuck D e o DJ Lord dos Public Enemy e ainda o rapper B Real da banda Cypress Hill.

Na bagagem trouxeram o seu primeiro disco de estúdio homónimo, editado em 2017, no entanto não foi nele que se centrou a base do concerto, mas sim nos clássicos dos grupos acima referidos. Do álbum de estreia apenas se ouviram “Unfuck The World” e “Hail to the Chief”.

A abertura do concerto ficou a cargo da malha “Prophets Of Rage” dos Public Enemy. O tema que deu nome à banda encontra-se inserido no álbum “It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back”, lançado em 1988. Já o primeiros “cheirinho” dos RATM veio com ” Testify”, que colocou o público logo em alvoroço e a entoar cada palavra. A nuvem de poeira que se fez sentir na zona do moshpit ao longo de todo o concerto demonstrava uma ideia de simbiose entre público e banda.

Um dos destaques do concerto foi o medley de hip hop old school presenteado por Chuck D, B Real e DJ Lord. Ouviu-se “Can´t Truss It” dos Public Enemy e ainda “Insane in the Brain” e “Hand on the Pump” dos Cypress Hill. Já a caminhar para o fim do concerto, os ânimos acalmaram-se um pouco para receber um momento que se destacou no concerto pelo seu carácter emotivo, com apenas Tom Morello, Tim Cummerford e Brad Wilk em palco, os três partiram para uma cover instrumental de “Cochise” tema dos Audioslave, o supergrupo composto pelos três e ainda pelo vocalista Chris Cornell que morreu recentemente com apenas 52 anos. Morello ainda incentivou o público a cantar, mas ou por alguma timidez ou por não saberem a letra, sentiu-se um certo silêncio que pareceu bem aos ouvidos dos mais críticos.

Se há coisa pela qual Tom Morello é facilmente identificado é pelo seu som carregadinho de efeitos e pelas suas guitarras. É claro que não faltou na sua pedalboard o mítico pedal Digitech Whammy, tão característico nos solos dos grandes clássicos dos RATM. Quanto às guitarras, Morello usou e abusou da sua Custom “Arm The Homeless” Electric Guitar, recorreu também por diversas vezes à já reconhecida Fender American Telecaster Black “Sendero Luminoso” e ainda apresentou-se com uma guitarra que normalmente não associamos à sua silhueta, a Gibson EDS-1275 Double Neck.

Para a parte final do concerto ficaram reservadas as malhas que fizeram dos RATM uma das principais bandas do movimento metal alternativo dos anos 90 e possivelmente um dos pioneiros do chamado rap rock, as suas letras de carácter interventivo ainda hoje fazem sentido principalmente em países , como os EUA, que vive neste momento um regime politico algo opressivo. Não é por isso de estranhar que “Bullet In Your Head”, ” Bulls On Parade”, “Killing In The Name” e “Bombtrack” tenham sido das mais celebradas. No entanto, e apesar de Chuck D e B Real cumprirem com a sua função, não deixa de ser perceptível que existe ali algum vazio, as letras que em tempos foram a voz da revolta e da raiva são neste momento debitadas com alguma monocórdia e sem emoção. E Zack de la Rocha é essa voz que sente tudo o que escreve e diz e obviamente que não podemos ignorá-lo ao longo de todo o concerto.