Uma aula de serenidade com Real Estate

Uma aula de serenidade com Real Estate

António Maurício
Thiago Batista
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A música indie dos Real Estate balançou equilibradamente no palco secundário entre a serenidade rítmica de duas guitarras.

A presença calma em palcos dos Real Estate interliga-se directamente com as sensações de descontracção provocadas pelas músicas indie rock. Com pouco movimento corporal, a essência recaí totalmente sobre a instrumentalização das duas guitarras e a performance vocal de Martin Courtney.

Afirmar que este concerto dependeu totalmente do trabalho vocal e das guitarras não é necessariamente uma verdade negativa. A bateria de Jackson (com um som mais vivo e profundo em comparação com as versões de estúdio), o sintetizador de Matt Kallman e o baixo de Alex Bleeker são sem dúvida imprescindíveis, mas não conseguimos tirar toda a nossa atenção dos dedos de Julian Lynch e da voz de Martin. São tão fundamentais ao vivo como são nos álbuns. A introdução com “Had to Hear” comprova esta teoria, com uma guitarra contagiante desde o primeiro ao último segundo. Regra geral, a fórmula é: a guitarra secundária entra com uma melodia simples, e a guitarra principal encaixa com notas soantes. Mas todas a regras têm uma excepção. Em “Crime”, assistimos ao primeiro break, com a guitarra a lutar com o sintetizador pelo papel principal e uma ronda extra de jam entre todos.

As faixas “Darling” ou “Stained Glass”, amostras do mais recente álbum “In Mind”, estiveram presentes entre no menu, mas nem estas, nem as outras novidades, conseguiram concorrer com a sonoridade já estabelecida nos álbuns anteriores. O novo som figura-se reciclado, falta-lhe ginga e criatividade.

A música dos Real Estate nunca foge de duas coisas: o brando ritmo indie que nos faz imaginar um pôr do sol com uma bebida fresca na mão entre duas palmeiras e a importância do ritmo das guitarras. Esta peça fundamental é a cola entre toda a instrumentalização. Referenciando o início, a calma em palco resulta numa performance estável, sem pontos baixos, mas também sem pontos altos.