Noites de Verão 2021 com Muita Música Gratuita em Lisboa

Noites de Verão 2021 com Muita Música Gratuita em Lisboa

Redacção

As Noites de Verão estão de volta, pelo 12º ano consecutivo, com música ao vivo às sextas-feiras pelas 19h, em Julho, no Jardim da Galeria Quadrum, e em Agosto, no Jardim das Esculturas do M.N.A.C., com a novidade de uma matinée no sábado 31 de Julho no Jardim do Museu de Lisboa – Palácio Pimenta. A entrada é gratuita.

As Noites de Verão são um programa da Filho Único co-produzido entre a Filho Único, a EGEAC, as Galerias Municipais de Lisboa e o Museu Nacional de Arte Contemporânea, e apoiado pela Direcção-Geral das Artes. No plano da história das ideias de programação em Música, o espírito é de «procura e valorização das propostas que se nutrem de um fulcro e dínamo de investigação e de progressão estética, em torno ao qual músicos e espectáculos se organizam».

Os concertos realizam-se no espaço exterior respeitando as normas em vigor e as distâncias de segurança entre lugares. A lotação é limitada e recomenda-se o uso de máscara. As Galerias Municipais – Quadrum, o Museu de Lisboa – Palácio Pimenta e o MNAC disponibilizam gel desinfetante nos respectivos espaços e pedimos a todos que adoptem as medidas de etiqueta respiratória.

Quanto à programação, arranca no próximo dia 9 de Julho, pelas 19h, no Jardim da Galeria Quadrum, com Milteto (PT), uma orquestra informal que surgiu no colectivo portuense da Favela Discos algures em 2014. Fruto de uma ideia que já existia há algum tempo, concretizou-se pela primeira vez para um concerto no extinto Picadilly Pub; uma daquelas noites húmidas pré-covid em que a condensação escorria pelas paredes espelhadas do bar, numa prova de endurance ruidosa que resultou num membro do público desmaiado. O primeiro disco de Milteto é a cristalização de um percurso disforme e difícil de captar em todas as suas dimensões, sendo apenas o último estágio de uma entidade em mutação.

No dia 16 de Julho, pelas 19h, é a vez do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa e Noiva (PT). Fundado em 1970 por Jorge Peixinho, compositor e uma das figuras mais importantes da cultura portuguesa da segunda metade do século XX, com a colaboração de Clotilde Rosa, António Oliveira e Silva, Carlos Franco e António Reis Gomes, o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa (GMCL) é o primeiro grupo português de música contemporânea, desempenhando um papel histórico de vanguarda na abertura da sociedade portuguesa à estética musical do seu tempo.

Ao longo dos seus 50 anos de actividade ininterrupta e premiada, o GMCL apresentou-se em concertos e festivais de música contemporânea no nosso país e um pouco por toda a Europa e no Brasil, e continua a manter a aposta numa regular e fomentada acção pedagógica junto de escolas do Ensino Artístico, na criação de públicos e na formação de novos maestros e intérpretes.

Para o programa para este concerto a Filho Único desafiou o actual director artístico do Grupo, José Sá Machado, a procurar conciliar a intenção de incluir várias obras de Jorge Peixinho com o desejo de ver apresentadas peças de Clotilde Rosa, que para além dos seus méritos artísticos destacou-se por ser a única mulher no grupo de fundadores do GMCL, e da fantástica Constança Capdeville, que infelizmente nos deixou cedo demais.

A 23 de Julho, pelas 19h, sobem ao palco Danifox, G Fema, Nídia, Rabu Mazda e Tristany (PT). A organização propôs a cinco jovens músicos da Área Metropolitana de Lisboa envolverem-se numa residência artística no Bairro Alto, com o propósito de edificarem um espectáculo colaborativo inédito, alicerçado em nova música original. O grupo reunido partilha em comum uma expressão e prática que se desenvolve no cultivo dos ritmos, sons e palavras mestiças que anseiam pelo espanto em detrimento da decepção, rumo a uma descolonização da imaginação, com honestidade e transparência.

Tristany iniciou-se na infra-estrutura do rap tuga, descontinuou, fez a diagnose das suas forças e constrangimentos, e avançou no terreno condicionado da representação suburbana na música popular em Portugal com a obra audiovisual “Meia Riba Kalxa”, de 2020. As suas originais composições realizam o som e a identidade de quem nasceu com saudades do futuro.

Nídia é uma produtora e DJ de música electrónica afro-portuguesa sediada no Vale da Amoreira e aclamada internacionalmente. Como parte da editora e colectivo Príncipe Discos tem tido um papel decisivo, quer como artista individual quer como membro da comunidade cultural de onde a sua música radica, em trazer sofisticação ética e estética a um sistema alternativo emergente da música electrónica de dança a nível global.

G Fema é uma carismática MC da Zona M, Chelas, reconhecida como uma das mais importantes vozes criativas no rap street tuga rimando em criolo sampadjudo, no activo há mais de uma década.

Danifox é um produtor e vocalista de música electrónica afro-portuguesa recentemente retornado à Linha de Sintra depois de uma temporada emigrado em Leeds, membro da crew Tia Maria Produções, e com EPs a solo publicados na norte-americana Point Records.

Rabu Mazda é o alter ego de Leonardo Bindilatti, compositor, vocalista e produtor de música electrónica e batidas urbanas, nascido no Brasil e crescido na Grande Lisboa, infância em Rio de Mouro, adolescência nas Olaias, hoje jovem adulto no Barreiro. Foi um dos fundadores da editora e colectivo artístico Cafetra Records, sendo actualmente também membro da banda Putas Bêbadas e do duo Iguanas.

A 30 de Julho, às 19h, Toda Matéria (PT), grupo moldável e modulador, elástico e mutante. Aparecidas da vontade em partilhar o tempo e activar o espaço, cruzam experiências e disciplinas a fim de criarem lugares sensíveis que envolvam o público. Apresentaram-se pela primeira vez em 2018 no contexto da exposição da Joana da Conceição na Lehmann Silva no Porto. A partir dessa ocasião, a matéria difundiu-se em mais três demonstrações (RA Lisa na ZDB, OUT.FEST 2018 e DAMAS) nunca iguais e nunca diferentes. A Toda Matéria das Noites de Verão conta com a participação dos elementos fundadores Joana da Conceição, Maria Reis e Sara Graça.

No dia seguinte, 31, pelas 16h, mas no Jardim do Museu de Lisboa – Palácio Pimenta, será altura de conferirmos o programa Jovem Guarda Ambiental, com actuações de Bezbog (PT), Carincur (PT), Poly Garbo (PT), Maria Callapez (PT), Oseias (PT), Unitedstatesof (PT) e Van Ayres (PT).

O programa Jovem Guarda Ambiental compõe-se de valores emergentes nacionais no campo das músicas electrónicas ambientais. Esta rede criativa tem vindo a revelar trabalho admirável em novos contributos musicais e consequente pensamento e prática sobre a sua performatividade, investida de uma entusiasmante porosidade entre campos artísticos.

Bezbog é um duo do Porto constituído em 2014 por David Machado e Dora Vieira que se dedica à criação de música electroacústica com saxofone, trompete e percussão amplificados e transformados electronicamente. Partilham o seu trabalho ao vivo com regularidade, e data de 2019 “Chernobog” editado na Favela Discos, um single com duas composições produzidas em Amares (Braga) que expandem o universo musical apresentado em Biez (2017) e Bezbog (2014).

Carincur, artista transdisciplinar, desenvolve trabalho de carácter exploratório, configurando-se em formatos híbridos entre performance, música electrónica e experimental, instalações audiovisuais, esculturas sonoras e instrumentos eletroacústicos, entre outros. Nos últimos anos, tem investigado e desenvolvido a sua prática e pesquisa no campo do pós-humanismo. Faz parte de colectivos como ZABRA records, YUUTS RUOY e Spectrum Awareness.

Maria Callapez cresceu na Figueira da Foz, frente ao mar e às ondas, num ambiente natural que se reflecte na sua música. Começou a estudar música clássica jovem mas foi na música electrónica e ambient que encontrou a sua forma de criação artística, que pode ser entendida como uma viagem sonora que conduz a uma experiência sensível, navegando entre tonalidades claras e escuras. Para tal, imagina ambientes de liberdade, em torno da Natureza, como espaços de expansão e união entre todos os seres.

Oseias é o alter ego de inspiração bíblica de um prolífico jovem produtor Afro-Português de hip-hop instrumental, que usa, nas suas palavras, a linguagem do jazz para trabalhar na tradição de ritmos partidos e narcóticos inventada por J. Dilla com predilecção pela sucessão de Knxwledge. Estreou-se em formato físico com o disco “[trinta&sete]” editado em 2017 na Think Music Records, de ProfJam e associados, e o seu mais recente lançamento “seis!” data de Janeiro deste ano na slow habits.

Poly Garbo é Diana Policarpo e estará responsável pela selecção musical ambiente entre concertos ao longo desta matinée. O ofício da Diana, artista visual e compositora, consiste num trabalho de media visual e sonoro, incluindo partituras, escultura e instalação multicanal. Tem investigado através do seu trabalho temas como as relações de poder, cultura popular e identidade de género.

Unitedstatesof é o corpo e a cara do músico João Rochinha, um dos mentores da editora lisboeta Rotten \ Fresh, conhecida pelo seu papel de referência na edição de música periférica feita por millennials em Lisboa. Já com uma série de edições físicas e digitais em Portugal e lá fora, tem explorado de forma ímpar, como considerou o site Rimas e Batidas “texturas sedosas de mãos dadas a samples dissonantes, animalescos ou mais humanos.”

O artista multidisciplinar Van Ayres regressou em 2020 aos discos com ‘Final Spirit’, uma obra brilhante de síntese milenial contemporânea. Animado por um cio em estar vivo e sempre escolhendo o caminho do Sonho, expressa-se criativamente em qualquer que seja a forma que a sua intuição o guia.

A programação segue em Agosto no Jardim das Esculturas – Museu Nacional de Arte Contemporânea NEA, no dia 6, pelas 19h, com Vum Vum (AO). Figura determinante da música Angolana do período colonial tardio em diante, a par de Bonga ou Teta Lando, com quem colaborou, entre outros. Gravou para a Valentim de Carvalho, escreveu originais para o Duo Ouro Negro ou António Calvário, e produziu discos marcantes de conterrâneos seus. Vum Vum Kamusasadi é também poeta e romancista, tendo “Simplesmente Joana” se tornado a sua primeira obra publicada em 2011. O seu mais recente álbum “Gienda” data de 2018 e este ano foi um acontecimento a reedição pela Groovie Records do seu mítico EP de estreia “Muzangola” de 1969. De regresso a Lisboa após décadas a viver em Berlim, este espectáculo a solo de canções e poesia será com certeza uma celebração da procura – humilde, inacabada, sempre a ser refeita – que tudo à sua volta nos diz ainda alimenta Vum Vum aos 78 anos de vida.

A 13 de Agosto, pelas 19h, sobe ao palco Polido (PT). Compositor e artista oriundo da Marinha Grande, que estudou Belas Artes no Porto e vive e trabalha em Lisboa, após frutuosos anos em Berlim. Estudante no Dutch Art Institute (2020-2022), lançou no ano passado pela editora Holuzam o portentoso díptico “A Casa e os Cães” e “Sabor a Terra”, após o anterior “Música Livre/Free Music”, uma edição de autor com apoio da Spirit Shop.

Colaborou como director de som e/ou compositor para os filmes de Louis Henderson, Madalena Fragoso e Margarida Meneses, Romana Schmalisch & Robert Schlicht, Filipa César e Marte Eknæs & Michael Amstad. O seu trabalho foca-se principalmente sobre o som como material e instrumento para abordar e articular questões de linguagem, arquivo e histórias da música, através de montagem e dissecação via técnicas digitais de processamento de som.

No dia 20 de Agosto, às 19h, será a vez de Perila (RU). Nascida e crescida em São Petersburgo, Aleksandra Zakharenko mudou-se para Berlim há cerca de seis anos, encontrando o seu lugar no colectivo em redor da Berlin Community Radio. O trabalho regular com gravações de campo expressionistas e investigação sonora electrónica acabou por levar Zakharenko a desenvolver a sua própria série podcast, WET (Weird Erotic Tension), combinando a sua música evocativa e atmosférica com poesia erótica dita.

Depois de vários lançamentos em cassete como Perila, acaba de lançar o álbum “How much time it is between you and me?” na editora Smalltown Supersound. Gravado numa vila montanhosa em França o ano passado, é uma obra que contem o balanço certo de estranheza e familiaridade para com o cânone ambient, inscrevendo-se de forma exemplar na tradição dos que nesse contexto alteram paradigmas.

No dia 27 Agosto, às 19h, Marte i Núpiter (PT), uma colaboração inédita ao vivo entre dois artistas multi-disciplinares do Porto iniciados na Voz: Marta ngela (aka Vuduvum, também dos Von Calhau!, duo proeminente do panorama das artes visuais nacional) e Nuno Marques Pinto (conhecido na música underground Portuguesa como NU NO).

A paixão da Marta reside no absurdo, no estado selvagem e primitivo da linguagem, do pré-verbal ao palíndromo e outros jogos de palavra rebuscados. Essa investigação incide sobre a relação dos contrários, que podem ser complementares ou repelentes na sua combinação. Nas artes visuais e invisuais, canto/voz, performance, circuit-bending ou como DJ experimenta o ruído e o silêncio numa deriva conduzida pelo desconhecido.

Nuno Marques Pinto é performer, actor, encenador, músico, mistério que lançou o seu primeiro trabalho discográfico a solo “POP SONGS” em 2017 pela P a r v a.

A entrada é gratuita para todos os concertos mediante levantamento de ingresso e respeitando a lotação definida. Os bilhetes estarão disponíveis apenas no próprio dia, no local do espectáculo, a partir das 17h, salvo no Museu de Lisboa – Palácio Pimenta a partir das 14h, por ordem de chegada.

PROGRAMAÇÃO

Jardim da Galeria Quadrum

Milteto (PT) – 9 de Julho – 19h

Grupo de Música Contemporânea de Lisboa e Noiva (PT) – 16 de Julho – 19h

Danifox, G Fema, Nídia, Rabu Mazda e Tristany (PT) – 23 de Julho – 19h

Toda Matéria (PT) – 30 de Julho – 19h


Jardim do Museu de Lisboa – Palácio Pimenta

Bezbog (PT), Carincur (PT), Poly Garbo (PT), Maria Callapez (PT), Oseias (PT), Unitedstatesof (PT) e Van Ayres (PT) – 31 de Julho – 16h

Jardim das Esculturas – Museu Nacional de Arte Contemporânea NEA:

Vum Vum (AO) – 6 de Agosto – 19h

Polido (PT) – 13 de Agosto – 19h

Perila (RU) – 20 de Agosto – 19h

Marte i Núpiter (PT) – 27 Agosto – 19h

EGITANA