Ravi Shankar faleceu aos 92 anos de idade

Nero

Robindro Shaunkor Chowdhury nasceu a 7 de Abril de 1920 no seio de uma família privilegiada na Índia. Antes de se iniciar na música, começou como bailarino – uma forma máxima de expressão artística na cultura indiana – e aos 13 anos de idade desenvolveu esse talento em Paris enquanto ia aprendendo a tocar vários instrumentos. Através das viagens com esse grupo de bailado teve contacto com a música ocidental, com os grandes compositores clássicos e o jazz, a paixão pela música ia aumentando e foi encaminhada sob a orientação de Allaudin Khan, o seu mentor.

Após o seu período de formação e escolhendo a cítara como instrumento predilecto, a partir de 1956, Ravi desenvolveu uma carreira que durante mais de meio século se tornou uma das maiores fontes de criatividade na fusão de elementos entre a cultura indiana e a anglo-saxónica. Os seus mantras musicais chegaram mesmo ao ponto de se tornar um dos baluartes da geração hippie, do psicadelismo, e banda sonora para o mundo da experimentação de drogas alucinogénicas. A procura pelo transcendentalismo mental. Dessa forma acabou por ser procurado por todos aqueles que se tornaram os colossos da indústria, Janis Joplin, Hendrix, Rolling Stones ou os Beatles.

A influência junto dos Beatles será o marco mais decisivo na fama de Ravi Shankar, a quem George Harrison apelidou de “padrinho da world music”. Foi também com o guitarrista dos Fab Four que desenvolveu uma relação de enorme proximidade pessoal, tornando-se como que um guru do músico inglês. Musicalmente será simples identificar essa influência a partir de álbuns como “Rubber Soul”, onde “Norwegian Wood” se tornou a primeira música rock conhecida a ser tocada com cítara (por George Harrison, que aprendeu o instrumento com Ravi), até “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” como expoente máximo desse manto musical. Aquela relação é bem retratada no documentário “George Harrison: Living In The Material World”.

http://www.youtube.com/watch?v=7VsRSVBI7ao

Hoje o músico não resistiu à deterioração do seu estado de saúde. No seu website oficial surge uma declaração da família: “Como todos sabem, nestes últimos anos o seu estado de saúde era frágil e na 5ta feira foi submetido a uma cirurgia que poderia ter-lhe dado uma maior esperança de vida. Infelizmente, e apesar de todos os melhores esforços dos cirurgiões e dos médicos que o tinham ao seu cuidado, o seu corpo não conseguiu resistir ao esforço da cirurgia. Estávamos ao seu lado quando faleceu.

Sabemos que todos vocês sentem a nossa perda e agradecemos a todos pelas vossas preces e condolências durante este tempo difícil. Ainda que seja um tempo de tristeza é também um tempo para todos darmos graças de termos tido a possibilidade de que ele tivesse feito parte das nossas vidas. O seu espírito e legado viverão para sempre nos nossos corações e através da sua música.”

Uma das suas filhas é a não menos talentosa Norah Jones embora a que seguisse os seus passos musicais mais de perto fosse Anoushka.

https://www.youtube.com/watch?v=SIej0GSo4Sc

EGITANA