Flying V, De Albert King a Randy Rhoads

Flying V, De Albert King a Randy Rhoads

Nero

Foi em Janeiro de 1958 que a Gibson apresentou o furioso e místico design Flying V.

No site oficial, a Gibson apresenta resumidamente o seu modelo Flying V com justificada ausência de modéstia. «Uma certa aura de misticismo envolve a Gibson Flying V. Guitarra à frente do seu tempo, apresentada em 1958, o apelo magneticamente intenso, o som poderoso e o formato peculiar da Flying V tornaram-na numa das mais reconhecidas guitarras em todo o mundo».

Na época, o presidente da Gibson, Ted McCarty, que já impulsionara o desenvolvimento das pontes tune-o-matic, desejava acrescentar uma guitarra com um visual mais arrojado, mais “eléctrico”, na linha de produção da marca. Os primeiro protótipos da Flying V foram desenvolvidos ao longo do ano de 1957 e o primeiro modelo oficial foi lançado em Janeiro de 1958. Tal como nas, também agressivas Explorer, estreadas no mesmo ano, a madeira escolhida para o seu fabrico foi a tropical korina. Uma madeira com um som quente, com boa ressonância e bem balanceada, que possui bastante definição e sustain, além de um som com bom brilho. É uma madeira da família do mogno (a madeira usada, predominantemente, nos modelos clássicos da Gibson), mas mais leve e mais clara que essa espécie.

A reedição de 1967, com alguns ajustes no design, tornou-se no padrão de produção da Flying V.

A reedição de 1967, com alguns ajustes no design, tornou-se no padrão de produção da Flying V.

As novas guitarras não conseguiram cativar o mercado – talvez o visual fosse mesmo demasiado extremo para o final da década de 50. Assim, a produção foi descontinuada logo em 1959. Em 1963, alguns modelos foram montados a partir de componentes que haviam sobrado da produção inicial e então o lendário Albert King ficou fixado pela Flying V. Fã do gigante do blues, Hendrix usou também o modelo. O interesse no furioso design explodiu e a Gibson retomou a produção das guitarras.

O apelo magneticamente intenso, o som poderoso e o formato peculiar da Flying V tornaram-na numa das mais reconhecidas guitarras em todo o mundo

Em 1967, as novas Flying V ganharam um pickguard maior e uma nova ponte que substituía a original (em que as cordas eram inseridas pelas costas) com uma tail piece stopbar – mais de acordo com a tradição dos modelos Gibson. Foi a reedição de 1967 que se tornou no padrão de produção da Flying V – o design original só esporadicamente é fabricado. O headstock possui também o tradicional ângulo de 17 graus da marca, de modo a aumentar a pressão das cordas no nut e, consequentemente, o sustain. Com um corpo com menos “massa”, o sustain dos modelos é ainda potenciado por outro factor: os pickups são colocados sob o ponto de concentração de peso da guitarra e a sua acção é alastrada à totalidade do design.

A Flying V, como modelo de grande impacto, foi alvo de réplicas ao longo da sua existência. Randy Rhoads era um fã das guitarras e, com a Jackson, criou a “Concorde”, em 1981, uma versão ainda mais extrema do design original da Gibson. Os modelos de ’58 a ’59, o primeiro período de produção, são os mais valiosos no coleccionismo e podem atingir valores próximos dos 250 mil dólares.