7 x 7: Sete Canhões de Sete Cordas

7 x 7: Sete Canhões de Sete Cordas

Nero

Desde o design seguro e estabelecido das Ibanez, à perfeição e luxo do modelo de assinatura de John Petrucci. Estas são as 7 guitarras de 7 cordas preferidas da Arte Sonora.

Qualquer guitarrista saberá, melhor ou pior, que os primeiros modelos de guitarras de 7 cordas, implementados em massa no mercado, foram as Ibanez UV7. Mas a guitarra desenhada para Steve Vai explorar em 1990, na sua obra-prima “Passion And Warfare”, e que os Korn tornaram numa besta de peso e groove, tem uma longa história atrás de si – uma história de mais de dois séculos.

steve-vai

As Universe, fabricadas entre 1990 e 1994, surgiam na sua maioria com corpo basswood, pickups DiMarzio Blaze II e double locking tremolo – os modelos de primeiro ano possuíam o Edge 7 e nos anos seguintes passaram a ter o Lo Pro Edge 7. Talvez pela dificuldade técnica de usar um “acréscimo” de progressão harmónica, nas escalas e acordes, talvez pela formatação mental de décadas com as seis cordas, as UV7 nunca foram um sucesso de vendas e por isso a produção parou em 1994, tendo regressado em 1996 e sido posteriormente substituídas pelas UV7S. A afirmação definitiva dos modelos de sete cordas só aconteceu quando a ascensão dos Korn atingiu o zénite, com James “Munky” Shaffer e Brian “Head” Welch a assumirem na Universe, tal como Van Eps décadas antes, a 7ª corda como a corda mais grave. Em 2001, a Ibanez arrasava a NAMM com as K7.

As K7 surgiram com dois acabamentos, Firespeak Blue (o modelo de “Munky”) e Blade Gray (o modelo de “Head”), e com a afinação dos Korn [A, D, G, C, F, A, D]. O corpo esculpido em mogno possuía a característica metalizada do som da banda, com muita definição nos graves. Apesar de os guitarristas terem usado, originalmente, as UV7, estas guitarras de assinatura eram, basicamente, modelos RG. Os pickups eram DiMarzio PAF 7. O braço eram uma mistura de 5 folhas de maple e bubinga, os modelos do último ano de produção (2006) usavam wenge no lugar de bubinga. A escala era rosewood e, no meio dos 24 trastos, ostentava o símbolo “K-7”.

Ibanez_K7

O peso de usar um B grave ou mesmo um Drop A, tornou-se uma tendência cada vez maior, havia chegado a era da new wave of metal. Aqueles que procuravam menorizar este novo som, com o famoso pejorativo “nu metal”, viram colossos do death metal como Trey Azagthoth [Morbid Angel] pegar também nas Universe. As guitarras falharam nas vendas, mas o legado estava criado. A Ibanez reformulou os modelos de sete cordas na série Universe e também RG, marcas como a Jackson, ESP, Schecter, etc., juntaram-se à demanda.O final dos anos noventa trouxe a multiplicação dos modelos de sete cordas. Os paradigmas alteraram-se e, actualmente, já há bestas de 8 cordas… Faltam duas para se chegar ao Chapman Stick!

Para os guitarristas que procuram algo mais, a nível harmónico e técnico, ou para os que procuram, simplesmente, mais corpo e peso. As guitarras de 7 cordas podem não ser ainda tão consagradas como as de seis, mas vieram para ficar. A última década viu várias marcas e músicos desenvolverem, cada vez mais, este instrumento.

Actualmente, há modelos para todos os gostos. Procurando um equilíbrio entre a acessibilidade (por isso estão representadas marcas “maiores”) e relação preço/qualidade, estes são os 7 modelos de 7 cordas que gostávamos de ter na redacção.

ESP STEF-T7B

STEF-T7B

Qualquer modelo ESP Stephen Carpenter Signature Series é uma besta sonora, mas o charme de um corpo tele misturado com uma barítono que a STEF-T7B exala não dá para ignorar. A configuração tão peculiar dos EMG 81-7 (sem pickup no braço, apenas ponte e meio) indicia a predisposição agressiva do modelo. A agressividade é apenas atenuada pelo calor da enorme escala (27”) e do corpo em alder com construção neck-thru-body. O braço é em maple e a escala em ébano. Não é um brinquedo barato…

MUSIC MAN BFR-7

 

A assinatura de John Petrucci é uma guitarra capaz de fazer, praticamente, tudo aquilo que quiserem. É um modelo de luxo, é certo, mas vale cada tostão! Corpo em alder, com maple top e um bloco maciço de mogno, que percorre o espaço entre o pickup da ponte e o do braço. O braço é em maple. Nos humbuckers são os DiMarzio desenhados, especialmente, para o virtuoso guitarrista, o LiquiFire, no braço, e o Crunch Lab, na ponte, que é a Custom John Petrucci Music Man Tremolo. O acesso ao truss rod permite ajustes sem ser necessário qualquer desmontagem ou a remoção de cordas. É uma guitarra perfeita! Ou assim parecia, pois o músico fez evoluir a sua assinatura com a marca para os assombrosos modelos Majesty.

LTD VIPER-417

Se a ESP de assinatura de Stephen Carpenter está fora do vosso budget, a marca pensou em vós. A Viper pode ser uma LTD, mas tem características premium: corpo em mogno sólido, braço em maple e escala em ébano. Bom, talvez seja apenas esses novos compostos de “ébano”, mas o calor do modelo não é aldrabice alguma. Uma besta rocker com um EMG 707 no braço e o 81-7 na ponte. Poderá não ter o charme tímbrico de uma SG nas mãos de Iommi, mas berra com mais fúria!

JACKSON JS22-7 DKA DINKY

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De uma forma bem realista, a sua relação qualidade/preço é imbatível! Com o corpo arch-top em basswood e a escala em rosewood de 26.5” que, graças ao raio de 16” de um braço bolt-on em maple, parece bem mais compacta, este modelo é uma maravilha de equilíbrio e agressividade como só a Jackson é capaz de construir. Há modelos de 7 cordas irresistíveis na Jackson, mas trocar os pickups originais da marca (que não são nada maus) ficará muito mais em conta. A ponte hard-tail, em direct-mount, dá uma solidez tremenda ao modelo.

IBANEZ RG1527

RG1527

Um corpo massivo em basswood e o aproveitamento da mistura de braço das primeiras RG de 7 cordas, as K7: cinco folhas de maple/wenge em sistema bolt-on. A escala, em rosewood, continua o break-through de design da marca, a escala de 25.5”. Nos pickups surgem os humbuckers V77 (braço) e V87 (ponte). Se vos incomoda que os haters digam que todos os guitarristas de 7 cordas soam iguais, este modelo é o que vocês procuram. Velocidade típica das RG e som brilhante e versátil.

DEAN RC7X

DRC7X

O shredder texano, Rusty Cooley, chama ao seu modelo de assinatura o «Lamborghini das 7 cordas». De facto, a guitarra é bem cara, mas também é rápida como um demónio, muito graças a uma escala em ébano, num braço de maple bem fino – naquele que é bem capaz de ser o melhor braço dos modelos de 7 cordas. O corpo é em alder, com os cutaways bem pronunciados, e possui um par de EMG 707, com o detalhe da disposição do pickup de braço a procurar aumentar o equilíbrio da resposta às cordas mais graves.

SCHECTER BLACKJACK C-7

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O “ás” na manga deste modelo é a sua escala de 26.5” a mandar às malvas o “deve ser” das escalas nestes instrumentos. Isto significa que o sustain aumenta, e que a tensão da corda tem mais vibração. Assim o low-end é bem mais vigoroso. A isso junta-se um colossal corpo em mogno e braço de 3 folhas de maple, com o fretboard em rosewood. Os pickups são Seymour Duncan JB e ’59. Se tiverem mãos para este “braçorro” vão colher os benefícios, a profundidade do cutaway é um auxílio precioso.