Black Keys para uns, Lonely Boy para outros

13/07/2014
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Entre as dúvidas que parecem assolar a banda e afectar a prestação do seu núcleo dual, as músicas de “Turn Blue” soaram melhor do que a maioria das reviews querem fazer crer e o encore acabou por salvar o concerto.

O poder de uma canção rock, é uma coisa curiosa e única. Antes de “Lonely Boy”, o concerto dos Black Keys parecia estar a passar despercebido a cerca de metade do público em frente ao palco principal. Dan Auerbach e Patrick Carney poderiam estar nus em palco que essa metade do público (da régie, para trás) parecia estar mais interessada em olhar para o ecrã de mensagens gratuitas oposto ao palco. Entre conversas e copos,apenas houve algumas reacções mais entusiasmadas a “Gold On The Ceiling” ou “Howlin’ For You”, então surgiu o super single de “El Camino” e foi ver as atenções concentradas no palco, gente a surgir no público em correria vinda de trás, estava na hora de serem do rock, das selfies, de imitar o afro-americano e os seus dance moves no vídeo oficial…

Os temas novos, tão criticados, são os que soam com mais autenticidade e compromisso, especialmente a própria “Turn Blue” e a boogie woogie “Gotta get Away”.

De volta ao concerto, a banda parece ter transposto, se é que isso é possível, inseguranças provenientes da recepção algo dura ao novo álbum. Pouco segura, refugiada nos sucessos dos três álbuns anteriores, álbuns que a “colocou” como headliners de cartazes e a retirou de bares para salas gigantes. Estratégia? Certamente, mas curiosamente são os criticados temas novos que soam com mais autenticidade e compromisso, especialmente a própria “Turn Blue” e a boogie woogie “Gotta get Away”.

Ainda assim, Dan Auerbach parece mais crente, na mudança que os Black Keys estão a sofrer, que Patrick Carney. O baterista (fosse descrença, cansaço ou qualquer outro motivo) nunca conseguiu bater com a força e “convicção” que mostrou, por exemplo, no Atlântico vai para dois anos. O frontman, mostrou que a “nova” voz não é uma coisa de estúdio e que a ligação entre as vocalizações e as estruturas mais desenvolvidas está trabalhada, sendo capaz de uma performance sem falhas dinâmicas.

Depois da apoteose com “Lonely Boy”, como que a fazer jus ao título, o público parecia servido e a grande maioria debandou, deixando a banda algo sozinha. Kudos a quem, lá na frente, insistiu no encore que permitiu vislumbrar a essência sonora da banda, com a épica “Little Black Submarines” e o super groove de “I Got Mine”.

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