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Justin Timberlake, o homem que queria ser Michael Jackson

02/06/2014
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A entrada com “Pusher Love Girl” estabeleceu muito daquilo que foi o concerto de Justin Timberlake. Com alguns toques da R&B contemporânea, na forma como há mais acentuações de tempo (através de quebras), e uma extrema devoção a Michael Jackson. A forma como esse tema terminou estabeleceu aquilo que teria da parte do público, rendição à sua primeira visita a Lisboa, mesmo por parte dos cépticos. Quando, mais para o final, tocou o seu maior hino “SexyBack”, não havia ninguém na Bela Vista que, pelo menos, não estivesse a bater o pé ou a flectir ligeiramente o joelho.

A esquizofrenia de JT é exposta através da setlist, com momentos em que a sonoridade electrónica das produções de hoje sobressai mais (aquele azeite produzido por Timbaland), outros extremamente “rockeiros” e outros vindos de uma máquina de viagem no tempo (daquelas com botões enormes e quadrados old school) completamente analógica e motown. Uma coisa é certa, esqueçam o que pensam saber sobre JT, se tiverem como base os seus discos. A tremenda banda que o acompanhou é uma máquina orgânica de swing. E Timberlake tem mãos para a comandar, com uma voz razoável e dance moves à John Travolta.

Esqueçam o que pensam saber sobre JT, se tiverem como base os seus discos. A tremenda banda que o acompanhou é uma máquina orgânica de swing.

Em destaque surgem, até pelo próprio destaque que assumem na mistura de som, os guitarristas Elliott Ives, o director musical, e o virtuoso nova-iorquino Mike Scott – tremendo naquele estilo de fusion rock. Talvez, e especialmente nos momentos de solos, tenham estado excessivamente altos, o que, longe de ser um incómodo, descaracterizou um pouco todo aquele ambiente de big band do século XXI. Mas foi o próprio JT a afirmar, repetidamente, que os Tennessee Kids estavam em Lisboa para “curtir”.

Os temas que soam mais autênticos, mais coesos, são aqueles em que Timberlake assume claramente a devoção a Michael Jackson.

Os temas que soam mais autênticos, mais coesos, são aqueles em que Timberlake assume claramente a devoção a Michael Jackson. Canções como “Love Stoned” ou “Until The End of Time” poderiam ter sido extraídas de outtakes que MJ não utilizou em “Off The Wall”. Para nem referir a excelente malhinha que é “Take Back The Night” e que antecedeu a versão de “Shake Your Body (Down To The Ground)”, dos The Jacksons, pois claro. Antes de terminar, voltaria a MJ, com “Human Nature”.

Homenagens ao Rei da Pop. Homenagens ao Rei do Rock. JT, como bom filho do bible-belt não podia deixar Elvis de lado. “Heartbreak Hotel” foi uma surpresa, não pela sua inclusão na setlist, mas pela classe com que foi rendida. É certo que Timberlake não é, como o Rei, um barítono capaz de 3 oitavas, mas foi catapultado por uma banda para a qual nenhum género musical tem segredos e assim nos fez viajar até Memphis.

Se não insistisse na sua estreia pueril em disco, com “Like I Love You”, “Cry Me A River” ou “Señorita”, que lhe dão um ar mais ‘N Sync, JT poderia ter sido o Rei do Rock In Rio 2014. Ainda assim, deu um dos concertos do ano.

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