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Om

Advaitic Songs

Drag City, 2012-07-24

EM LOOP
  • State Of Non-Return Gethsemane
Nero

“God Is Good” abriu as veredas ascéticas sobre as quais incidem as reflexões filosóficas e sónicas de “Advaitic Songs”. O quarto álbum foi o monumento de consagração da banda liderada por Al Cisneros.

Se o álbum “God Is Good” começou a mostrar uma coesão musical muito mais forte e uma direcção estética com estruturas mais objectivas, em detrimento de uma excentricidade experimental – muito devido à entrada de Emil Amos, vindo dos Grails para a bateria dos Om –, esse processo só ficou plenificado agora no segundo álbum que Amos faz com a banda.

Aqui Al Cisneros parece surgir muito mais entrosado com a espiritualidade rítmica do antigo baterista dos Grails em vez de ter as suas composições coladas à nostalgia do trabalho com o seu antigo parceiro dos Sleep, Chris Hakius. Se este era também um excelente baterista, a verdade é que Amos parece mais contextualizado, pela sua própria herança musical, dentro dos mantras de repetição dos Om. Pois se Hakius sempre foi um portento de solidez rítmica, essa derivava para a ortodoxia do doom, enquanto Amos consegue manter as progressões de repetição com uma maior dinâmica e com crescendos de elementos percussivos.

Não deixa de ser lamentável que muitos ouvintes de música acabem por deixar passar a oportunidade de ouvir este álbum dos Om, como sucede com tantos outros na mesma latitude, pelo preconceito em relação a termos como doom, sludge, stoner ou metal. Quando na verdade, o local onde mais tem sido venerado o culto psicadélico e experimental dos anos dourados do rock, os anos 70, é precisamente a partir dos géneros supra citados. E aqui muito do mérito é do pilar central da banda, o baixo de Cisneros – que é como um mandala sonoro a congregar a hermenêutica musical da banda.

Outro factor de solidez a conquistar excentricidade é o maior envolvimento de Aubrey Lowe no desenvolvimento sonoro do álbum – os apontamentos com instrumentos como o violoncelo, a tambura e o preenchimento harmónico da sintetização é muito mais direcionado e muito mais presente nas estruturas musicais.

A banda poderá ter demorado 4 álbuns a consolidar-se musicalmente, mas essa espera valeu cada um dos trabalhos anteriores, agora congregados em “Advaitic Songs”. No final este é um disco tão acessível quanto impenetrável. (Na capa, o ícone bizantino é São João Baptista)