Sufjan Stevens @ Coliseu dos Recreios [31.05.11]

Inês Barrau

Por Joaquim Martins

Fotos: Sara Santos

O início foi ao som de “Seven Swans”, mas ainda está tudo atordoado com o cenário cósmico deste espectáculo, cores, luzes, balões – muitos balões, mas já lá vamos. Um ambiente de viagem inter-galáctica ao universo cada vez mais profundo de Sufjan ou, simplesmente, uma forma de contemplar a vida.

As primeiras impressões surgem tão díspares como o acaso que as luzes iluminam, tanta gente em palco, tantos adereços e imagens de fundo, respira-se e descomprime-se da imagem inicial… palmas aos senhores, e senhoras.

Sufjan Stevens, que um dia teve como objectivo fazer um álbum com o nome de cada estado do seu país natal. Mas essa América parece ter ficado em standby, agora há um artista a desenhar outros sons mais elaborados e experimentais. E todo este cenário é de facto uma experiência nova, por muito que com outras cenas se pareça, a viagem há muito que passou de qualquer estrada inter-estadual. Neste momento já anda algures na estratosfera. Com um alhinhamento que se baseia em “The Age of Adz”, visita os anteriores e veste outra roupa aos temas, tudo com uma orquestração exemplar – os bons andam com os melhores.

Um pouco a mais de meio do espectáculo, faz uma pausa para explicar o processo de criação deste último álbum, explica tudo com calma e humildade, dedica e apresenta Royal Robertson como sendo o responsável inspirador de”The Age of Adz” e entre elogios e demonstrações de carinho e admiração pelo personagem, volta à musica e toca “Futile Devices”. E o que se seguiu até ao final é quase indiscritível por palavras, é uma mistura de sensações e sons.

Regressamos à terra e já sem os artefactos de caracterização iniciais, regressa ao palco e agradece a paciência para aquilo que considera “um espectáculo difícil e algo entediante”. E remata: “Que souberam apreciar muito bem” -e de facto teve partes difíceis e entediantes, mas foram muito poucas, quase nenhumas. Para terminar volta ao anterior “Illinois” e toca mais três temas para o final que se esperava apoteótico para todos os presentes. Surgem os tais balões, muitos balões, e os acordes de “Chicago”, hino do músico e que causa delírio na sala. A apoteose veste-se entre despedidas e palmas, gritos e tantas outras formas de celebração. Fica a frase da música: “I made a lot of mistakes”. Se um génio destes o afirma, então estamos todos perdoados.