O Fabuloso Mundo de Hans Zimmer

O Fabuloso Mundo de Hans Zimmer

2019-04-03, Altice Arena, Lisboa
Inês Barrau
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Perfeito. É o adjectivo para o que vimos e ouvimos com o “The World of Hans Zimmer – a Symphonic Celebration” na Altice Arena. A presença inesperada de Hans Zimmer em palco ajudou a que esta fosse uma noite inesquecível e irrepreensível.

Se já olharam para o grafismo em cima, já perceberam que para a AS, este foi um concerto nota 10. Muitos irão pensar: «Que exagero! Estão malucos! Metam mais tabaco!», outros irão certamente concordar. A verdade é que tudo esteve perfeito, músicos, vozes, público (tantas vezes criticado por nós), cenário…

Até a controversa acústica da Altice Arena esteve no ponto. Provavelmente um dos melhores concertos, acusticamente falando, que já ouvimos na maior sala lisboeta (a ter em conta: assistimos ao concerto da Plateia e Balcão 1).

A expectativa para este espectáculo não era muita, principalmente porque Zimmer não estaria presente. E há um estudo que diz (na verdade não sabemos se há, mas há estudos para tudo, portanto, se não houver, considerem este um estudo AS) quanto maior for a expectativa para um concerto, maior poderá ser a desilusão ou quanto mais baixa é a expectativa, mais surpreendente poderá ser o espectáculo.

E nós estávamos nesta última situação, apenas uns dias antes nos lembrámos que estava próxima a data, não pensámos muito no assunto, não fizemos o trabalho de casa de ir ouvir a possível setlist, não ouvimos o álbum, simplesmente fomos ver como era o Mundo de Zimmer ao vivo, ouvir bandas sonoras icónicas. Ponto.

A única excitação era ouvir uma vez mais Lisa Gerrard. As bandas sonoras de Zimmer já sabemos que são empolgantes. Um compositor como Zimmer não trabalha senão com músicos e instrumentistas de topo. Por isso já estávamos à espera de algo bom. Mas foi excelente. A verdade é que nada de mau há apontar, e quando não há, não vale a pena inventar, ser picuinhas.

Assim que se ouviram os primeiros pulsares produzidos pelas mãos de Luis Ribeiro, Lucy Landymore e Aleksandra Šuklar para dar início a “The Dark Knight”,  as cordas e os metais da Orquestra Sinfónica de Bolshoi Theatre e o solo de guitarra de Amir John Haddad (peça chave no conjunto, ora com guitarra eléctrica, acústica ou ukelele), percebemos que ninguém sairia daquela sala desapontado.

Pedro Eustache é o encantador de serviço e com a sua flauta mágica envolve-nos no seu feitiço em temas como “King Arthur”, “Kung Fu Panda” ou no delicioso medley da banda sonora do “Rei Leão”. As bandas sonoras para filmes de animação não foram esquecidos, e podemos ainda ouvir “Spirit – Stallion of the Cimarron” e o divertido tema de “Madagascar”, que arrancou uma gargalhada do público, onde a secção de metais tinha pequenos focos luminosos que dançavam no ritmo.

A dupla Marie Spaemann (no violoncelo) e Rusanda Panfili (violinista) deslumbrou e arrancou várias ovações do público em temas como “Rush”, “The Da Vinci Code”, “Hannibal” ou “Pearl Harbour”. A carga dramática de algumas composições não seria a mesma sem a presença do, também ele fabuloso, Belarus Radio and Television Choir, posicionado estrategicamente em colunas verticais nas extremidades do palco. Tudo isto conduzido pela batuta certeira de Gavin Greenaway.

“The World of Hans Zimmer” fica completo com a grandiosa voz de Katharina Melnikova (“Pearl Harbor”, “Da Vinci Code”). Last but not least, a divinal e incomparável Lisa Gerrard dos Dead Can Dance, estupenda, como sempre a vimos, em temas como “Missão Impossível” e “Gladiador”. Soube a pouco a presença de Lisa (lá está, a história da expectativa).

Esta tour foi anunciada como não tendo a presença em palco da figura principal. Um ponto negativo apontado por muitos. Em pequenos vídeos, Zimmer ia sendo o narrador desta história, ao contar e apresentar os diversos temas, em conversa com vários dos intervenientes do seu mundo, como Ron Howard, realizador de “Código de Da Vinci”, Nancy Meyers do filme “The Holiday” ou Lebo M, aquela voz inconfundível com que começa “Circle of Life”. Para quem não percebe inglês, estes momentos poderão ter sido um pouco aborrecidos.

Passadas mais de duas horas de espectáculo, e já quase a terminar, Lisboa presenciou mais um grande momento musical por terras lusas, à semelhança de Stones com Bruce Springsteen no RIR ou de Jack White com Pearl Jam no Alive, a excitação rebentou a escala. Com “Time”, retirado do filme “Inception”, Hans Zimmer aparece no ecrã gigante ao piano, e só por si, já estava a ser fabuloso, até que se ouve uma guitarra eléctrica e uma personagem de calça vermelha começa a entrar em palco. Aqueles segundos seguintes, em que no ecrã se deixa de ver Zimmer ao piano, e se vê que o tal personagem era o one and only Hans Zimmer, em carne e osso, com uma James Trussart nas mãos… Altice Arena em pé! Tremenda excitação! A presença de Zimmer foi o momento grande desta noite. Comunicativo, divertido, Zimmer apresenta todos os músicos que nos ofereceram este fantástico “The World of Hans Zimmer – a Symphonic Celebration”.

Um nota final, para o público presente, um concerto de orquestra requer silêncio. E foi isso que se ouviu por parte do público durante os temas. Um público (na sua maioria) atento, respeitador, que estava ali para ouvir e sentir música. Que aplaudiu de forma estrondosa quando tinha que o fazer, que sossegou quando era necessário estar sossegado. Vénia.

“The World of Hans Zimmer – a Symphonic Celebration” volta em Dezembro, e para quem acha que não é aborrecido estar a ouvir uma orquestra durante três horas a tocar bandas sonoras, este é um espectáculo a não perder.

SETLIST

  • The Dark Knight
    King Arthur
    Mission Impossible 2
    Pearl Harbor
    Rush
    The Da Vinci Code
  • Madagascar
    Spirit
    Kung Fu Panda
    The Holiday
    Hannibal
    The Lion King
    Gladiator
    Inception
    Pirates of the Caribbean