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The National

Trouble Will Find Me

Popstock, 2013-05-20

Hugo Tomé

Chegados a este ponto, verdade seja dita, os NATIONAL já não precisam de provar nada a ninguém. Há mais de uma década a caminhar pela cena indie rock contemporânea, desde “Alligattor”, em 2005, que a banda de Matt Berninger, Padma Newsome, e os manos Dessner e Devendorf, só conhece uma linha, a ascendente. E, enquanto uns e outros da mesma fornada vão caindo ou vacilando desde então, os NATIONAL colocaram-se na vanguarda, consolidaram a sua posição e estão de pedra e cal para durar.

É praticamente certo e sabido que desde cedo os NATIONAL apresentaram sintomas de serem os parentes mais romanticamente melodramáticos da cena. E, não descurando qualquer tipo de importância de todos os elementos e componentes para a autenticidade desse indício, parte dessa identidade prende-se com a figura de Matt Berninger. A idade começa a ser um posto, um fato cai sempre bem, especialmente se pelo meio já se avistar um ou outro cabelo branco e, se a isto juntarmos as confissões de um senhor que já passou a barreira dos quarenta, o resultado por ser qualquer coisa como “Trouble Will Find Me”.

Sim, Matt Berninger já pode ser tratado por senhor. Só que ao contrário de muitos senhores que deixam escapar histórias de vida por confissões de balcão ao fiel amigo double scotch, Berninger partilha-as sobre aquele modelo sereno e tímido como os NATIONAL tratam as canções, falsamente simples, verdadeiramente intensas. E “Trouble Will Find Me” faz uso e abuso desse molde. Cobre mais uma vez uma estética uniforme por canções tão compactas e ricas como “Demons”, “Don’t Slallow The Cap”, “Sea Of Love” e “Graceless”. Oferece mais uma vez um embalo requintado por narrativas e orquestrações que derretem emoções como “Fireproof”, “Heavenfaced”, “This Is The Last Time” e “Hard To Find”.

Chegados a este ponto, conclusão seja tirada, os NATIONAL também já não precisam de muito mais. Há mais de uma década que concebem o padrão minucioso que os destaca para muitos como a principal bandeira da cena indie rock moderna. E, enquanto as modas e modinhas vão passando ou caducando, os NATIONAL não têm prazo de validade e aí estão mais uma vez clássicos demais para acabar.