VAGOS OPEN AIR’11 [dia 02]

2011-08-06, Vagos
Redacção

Os We Are The Damned aproveitaram a “onda” que conseguiram construir com a edição do recente “Holy Beast” e surgiram mandões em palco. A banda parece centrada sonoramente e em atitude e isso tem criado um sentido de coesão. Agarrados à escola sonora de Entombed, no som de guitarras principalmente. É positivo para o som mais “rockeiro” da banda um certo narcisismo que a fase que estão a atravessar lhes dá.

Os Malevolence decidiram manter as exortações de “apoiar as bandas portuguesas”, que os primeiros haviam apregoado junto do público. Há quem não goste de ouvir, até porque se está à frente do palco é por apoiar a cena nacional, contudo dá para perceber… qualquer uma das duas bandas que abriu as hostes neste segundo dia podia tocar numa posição mais destacada do cartaz, pelo menos quando comparadas com Kalmah, ou mesmo com os Essence no dia anterior, isto para quem liga a essas coisas. De resto, uma banda, seja de que país for, compete-lhe, ao vivo, é dar um bom concerto – o Benfica também já não tem portugueses no onze e ganhou ao Arsenal. São os tempos.

O som dos Kalmah, é carregado de clichés, quer na produção quer nas estruturas dos temas. É um tipo de sonoridade que cresceu no universo do metal, soa tudo muito genérico e na sua amálgama de influências não chegam a aprofundar nenhuma, quem gosta dirá que merecem mérito por fundir tantas, quem não gosta dirá que falta fogo ou alma à sonoridade. E esta reflexão poderia ser usada sobre a actuação de Ihsahn, na qual até a recuperação dos Emperor soou sem o fogo que essa banda chegou a exalar. Tudo é competente e bem feito, mas faltará o factor X.

A actuação de Devin Townsend estava sujeita a um enorme escrutínio, não só pelo facto de o músico ter uma personalidade peculiar e ser capaz do extraordinário e do banal, mas também porque veio substituir uma das bandas mais aclamadas do metal norte-americano, cujo último álbum, foi considerado em vários canais como uma das grandes obras de 2010. O canadiano, foi simplesmente arrasador, quer a produção visual do concerto, quer a execução musical foram de uma dimensão pouco comum nos nossos festivais de sonoridades mais extremas. Não faltou mesmo o irascível invasor alien, Ziltoid, numa sincronização som/imagem milimétrica. Um grande concerto, com uma prestação vocal invulgar. E que serviu para outro propósito – os Morbid Angel teriam que suar os instrumentos para não serem ofuscados.

A verdade é que os veteranos, mesmo sem Pete Sandoval [que prestação de Tim Yeung] e com toda a polémica que o recente trabalho “Illud Divinum Insanus” despoletou junto dos seguidores, deram um concerto arrasador. O único momento em que a banda não esteve perfeita foi na abertura com “Immortal Rites”, talvez por ajustes na monição, os músicos estavam um pouco perdidos uns dos outros. A partir desse clássico de “Altars Of Madness” o concerto tornou-se numa daquelas actuações que podiam ser usadas para DVD. De forma a agarrar o público e prepará-lo para os momentos que surgiriam do novo trabalho, o ensemble liderado por David Vincent e por Trey Azagthoth pegou logo em “Blessed Are The Sick”, com “Fallen From Grace”. Quando surgiu o último trabalho o público estava rendido e ninguém se queixou de ouvir “Existo Vulgoré”, “Nevermore” e “I Am Morbid” de rajada; isso faz-me pensar em algo que sempre intrigou na banda, que é o facto de, depois de Tom Morris e Flemming Rasmussen, ter vindo a falhar nas escolhas para a produção dos seus trabalhos, pois mesmo este último soou a Morbid Angel ao vivo. Um dos momentos mais altos está directamente ligado a um dos melhores e mais influentes guitarristas dos últimos 30 anos no heavy metal – no final de “Lord Of All Fevers & Plague” (ou foi em “Chapel of Ghouls”?) o solo de Trey… excêntrico, criativo, agressivo, perfeito! Todo o concerto esteve neste registo, mas ali o músico recebeu a ovação que merecia. Este concerto foi um soco do Grande Bode nos dentes de quem tem dito cobras e lagartos sobre a banda – não quero com isto dizer que o último trabalho está acima de críticas negativas, muito pelo contrário, mas isso pouco importava ali, o concerto aproximava-se do fim e toda a gente queria ouvir a fenomenal “God Of Emptiness”.