Warpaint: O despertar das novas canções

Warpaint: O despertar das novas canções

2017-07-07, NOS Alive, Passeio Marítimo de Algés
Carlos Garcia
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Continuando no formato de rock no feminino as Warpaint assumem o comando do Heineken (só faltavam umas Pussy Riot ou Dum Dum Girls para fazer uma triologia de Riot Grrls).

Onde as Savages são todas elas roupas negras e caos sonoro, as Warpaint trazem uma postura mais popy. O sol da Califórnia por oposição ao fumo de Londres. Guitarras saltitantes e vozes harmonizadas, sendo esta, talvez, o principal trunfo e a principal fraqueza da banda. A harmonia de vozes sempre foi uma das grandes características da pop californiana desde os Beach Boys, e um elemento fundamental naquilo que se pode chamar de Dream Pop, toda ela equilíbrio de vozes e criação de texturas atmosféricas nos teclados e guitarra. O resultado final no caso das Warpaint é agradável mas um pouco monótono, talvez devido ao facto das 3 vozes principais funcionarem essencialmente no mesmo registo.

As músicas de “Heads Up”, o último álbum, destacam-se ao vivo pela positiva. Existe nelas mais sentido de canção, mantendo a atmosfera que as caracteriza, mas com um apuro maior de melodia. A faixa título que abre o concerto e “So Good” são um exemplo, por contraste com as flutuações em ondas atmosféricas como “Undertow” ou “Beetles”. Em “Keep it Healthy” do homónimo “Warpaint” de 2014 sente-se a transição entre estas duas matrizes. A maturação da banda está no apuramento da escrita de canções sólidas, não dependendo tanto das muletas que são as texturas sonoras que constituem uma boa banda sonora de fundo para quem ouve os álbuns em casa, mas que pode tornar o desfile de músicas ao vivo em mais do mesmo.

É no final com “Disco//Very” especialmente com a completamente catchy “New Song” que aparece a verdadeira força das Warpaint e a diferença sente-se plenamente em que assiste cá em baixo. As texturas estão lá mas suportam em vez de camuflar, as harmonias fazem contrastes, e a força melódica aparece em pleno. As Warpaint sem o medo de serem cantaroláveis são mais iguais a elas próprias.

Fotos: Tomás Lisboa