James “Jimmy T” Meslin, Dream Theater & Micros Mojave Audio

James “Jimmy T” Meslin, Dream Theater & Micros Mojave Audio

Redacção
Joana Cardoso

O engenheiro de som dos Dream Theater conta como os microfones Mojave Audio mudaram a sua vida e o som da banda. Tudo começou em 2012.

O engenheiro de som James “Jimmy T” Meslin passou boa parte da última década a trabalhar com os Dream Theater, tanto na estrada, como nos discos mais recentes da banda, nos quais se inclui “Distance Over Time”, de 2019, o álbum de maior sucesso comercial da banda norte-americana até à data. James Meslin iniciou a sua carreira nos Cove City Sound Studios, onde foi apresentado à banda agora formada por John Petrucci, John Myung, James LaBrie, Jordan Rudess e Mike Mangini, que logo o contratou para trabalhar como engenheiro assistente no disco homónimo de 2013.

Três anos depois, Meslin acabaria por trabalhar no álbum duplo “The Astonishing”, o 13º disco de estúdio da banda, passando imediatamente a fazer parte da equipa técnica que acompanhou a banda na digressão de apoio a esse disco. «Precisavam de um técnico de reprodução porque iam expandir a forma como tocavam ao vivo. Tive a vantagem de conhecer as entradas e saídas desse disco, o que fez com que fosse uma experiência simplificada na construção do espectáculo ao vivo. A minha função começou a transbordar para a abordagem de como o espectáculo ao vivo deles foi capturado e misturado, pois eu tinha conhecimentos e recursos para replicar os efeitos obtidos no disco e capturar abordagens utilizadas no estúdio que podiam ser utilizadas na estrada», recorda Meslin.

Porém, para Meslin, tudo parece ter mudado com a introdução, na ficha técnica, de microfonia da Mojave Audio, nomeadamente um modelo em particular. «Foi o MA-301fet, quando o utilizámos no guitar rig de [John] Petrucci, em 2012. Para o disco homónimo, de 2013, o engenheiro principal Richard Chycki estava a experimentar microfones nos amps de guitarra de Petrucci, mas só tinha um UT-FET47 disponível. Dusty [Wakeman, presidente da Mojave Audio] tinha-lhe sugerido experimentar o MA-301 quando procurávamos um segundo microfone FET de diafragma grande. Colocámos o 301 e foi um daqueles momentos para todos na sala. Esperávamos que fosse uma emulação do seu antecessor. Mas foi quase um momento triste quando percebemos que o MA-301 simplesmente rebentou com o original. O MA-301 soou como uma enorme representação gloriosa do original, e não havia realmente motivo para procurar mais».

A escolha estava feita e tinha tudo que ver com o som da banda, como reconhece o engenheiro de som na entrevista com a Mix: «É o estilo dos Dream Theater, ‘go big or go home’. Mas o MA-301 é a verdadeira representação do guitar rig de John num só microfone. É completo, muito realista e tridimensional. O MA-301 acabou por ser usado nos amps de Petrucci na estrada quando comecei a andar em tour com eles».

Avançando até 2018. «Foi-me pedido para trabalhar no novo disco, que acabaria por ser o “Distance Over Time”. Foi uma experiência única. Gravámos no norte de Nova Iorque numa propriedade chamada Yonderbarn, um antigo celeiro transformado em estúdio, mas, infelizmente, já despojado de todo o equipamento de gravação. Era grande e amplo, belas vistas e boa acústica e era apenas para a banda escrever o disco. O plano era ir, depois, para um estúdio de gravação formal, mas a banda apaixonou-se pelo local. Petrucci perguntou se podíamos gravar lá e eu disse: ‘Claro!…’. O que se transformou numa tarefa de fazer uma enorme lista de pré-amplificadores, computadores, monitores, cabos, microfones… tudo».

«Das muitas decisões a tomar e desafios a ultrapassar enquanto preparávamos Yonderbarn para lidar com uma sessão de gravação dos Dream Theater, eu e o Matthew Schieferstein, coordenador de produção da banda, trabalhámos numa lista de equipamento para satisfazer todas as necessidades da banda. Com 40 inputs e utilizando cada um deles, apoiei-me fortemente nos MA-301 da Mojave para captar alguns dos elementos mais importantes do disco», conta ‘Jimmy T’, que recorda que esse microfone «praticamente vivia no amp de guitarra de Petrucci», juntamente com um Royer 121 e um Shure SM7B, «embora o MA-301 tivesse mesmo o papel principal», tendo também «capturado o som da pele de resposta do bombo de Mike Mangini, além de ter sido o único microfone no amp do baixo do John Myung».

Quanto a outros elementos desse mítico álbum, Meslin lembra que as vozes de James LaBrie foram gravadas por Richard Chycki no Canadá, que também usou um Mojave, desta feita o modelo MA-1000. «É um microfone tão brilhante. A resposta à acústica orgânica natural é inigualável», sublinha James LaBrie.

EM EQUIPA QUE GANHA, NÃO SE MEXE

Depois de terem gravado o DVD “Distant Memories – Live In London”, os Dream Theater terminaram a digressão europeia no nosso país, pouco antes de o mundo ter sido parado devido à pandemia da covid-19. Com a indústria dos espectáculos a viver um momento de paragem completa, a conversa voltou-se para a composição de novas músicas e novos discos. «Em Março de 2020, Petrucci e eu concordámos em manter uma pequena bolha e trabalhar juntos no seu segundo disco a solo, “Terminal Velocity”», conta Meslin, que acrescenta: «O disco inteiro foi capturado utilizando o MA-301 no amp de guitarra, e, além disso, utilizei-o como overhead na bateria de Mike Portnoy. O MA-301 deu uma clareza inacreditável ao kit, mas nunca se tornou duro. A resposta low-end era clara e precisa, nunca turva».

O Verão de 2020 trouxe nova reunião entre Petrucci e Portnoy com o renascimento dos Liquid Tension Experiment e a respectiva produção do terceiro disco da banda após mais de 20 anos de intervalo, e cujo novo single já podes ouvir.

Comprovado o sucesso dos MA-301 na função de overhead numa configuração A/B em “Terminal Velocity”, Meslin reciclou a mesma abordagem para o novo trabalho dos Liquid Tension Experiment. No entanto, desta vez reforçou a cor vintage do som ao adicionar o Mojave MA-300 ao centro, funcionando como uma fonte overhead mono. «O MA-300 é um microfone suave e potente, dando reforço à tarola e preenchendo o vazio que uma imagem stereo A/B pode criar. Pode ser facilmente utilizado como a única fonte suspensa».

Actualmente a trabalhar no próximo disco dos Dream Theater, o 15º álbum de estúdio da carreira da banda, James “Jimmy T” Meslin continua a confiar na microfonia da Mojave Audio como um recurso crucial nas suas gravações. «Os microfones Mojave proporcionaram-me um caminho de acesso fácil. Ainda não me deparei com uma situação que estes microfones não consigam resolver. Desde 2012 que os MA-301 têm sido uma escolha de topo para colocar no guitar rig de John. Continuaram a ser cruciais, quer nas gravações, como no trabalho ao vivo e continuarão a ser a minha escolha para sons de guitarra maiores do que a vida».

Abre a galeria para ver a captação dos trabalhos com os micros Mojave.

EGITANA