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Anathema [Reviews de leitores]

Weather Systems

Kscope

Nero

Os Anathema estarão no nosso país a promover o seu mais recente disco e a Arte Sonora desafiou os leitores a escreverem a sua própria review sobre o álbum de forma a candidatarem-se a um dos 10 bilhetes que oferecemos (em conjuunto com a Prime Artists) para os concertos da banda no Hard Club e no Garage.

 

As 5 reviews vencedoras para o concerto no Hard Club:

ANA SOUSA // The Weather Systems, último disco dos Anathema, tem tudo aquilo que é necessário para ser apontado como um dos melhores álbuns do ano, dentro do género. Untouchable 1 marca o regresso à velha fórmula, com a voz de Vincent Cavanagh a coincidir perfeitamente com o instrumental da música. Este primeiro tema abre o apetite e tem continuidade em Untouchable 2: uma bonita faixa que desabrocha ao som do piano. O grande momento desta canção é, sem dúvida, quando as vozes de Vincent e Lee Douglas se unem e confundem numa só. The Gathering of Clouds permite ao ouvinte aperceber-se da profundidade que a presença de Lee traz às composições, vigorando uma espécie de duelos de vozes (o qual se vai repetir em mais canções). Para além disso, esta música exemplifica claramente a presença da essência de We’re Here Because We’re Here, ora atente-se nas seguintes passagens: “but we’re here, cause we’re here, and there’s nothing to fear”. Nunca antes Lee Douglas pôde brilhar tanto como em The Weather Systems, o que acaba por embelezar ainda mais o álbum. Lighting Song é cantada unicamente por Lee e trata-se provavelmente da música mais otimista dos Anathema. A ela, segue-se Sunlight que suscita algum interesse, nomeadamente pelo crescendo instrumental aí presente e pela espécie de ambiente expectante que cria. Já em The Storm Before the Calm, preparem-se para percorrer dois sistemas opostos de tempo, para experimentar um extremo de situações: a tempestade e a escuridão, a bonança e a luz. O som do piano introduz aquela que é a canção mais emotiva de todo o álbum – The Beginning and the End. Aconselho vivamente para que, ao ouvirem este tema, cerrem os vossos olhos. Assim, verão que cada pequena parte entrará ainda melhor e a certa altura sentir-se-ão em sintonia com a música, especialmente aquando das passagens de guitarra de Danny Cavanagh. Por outro lado, The Lost Child prima pela sua composição mais complexa, mas também pelos arranjos orquestrais. Finalmente, Internal Landscapes encerra o álbum, levando-nos a Dreaming Light (uma das faixas constituintes de We’re Here Because We’re Here). Emotivo, versátil e íntimo são os adjetivos que melhor descrevem The Weather Systems. O melhor local para o escutar será certamente no conforto e abrigo do nosso quarto, onde poderemos desfrutar de uma maior privacidade para o reter. Este é um álbum para se ouvir, seja em dias bons ou maus. Afinal, tal como os diferentes semblantes do tempo, também as emoções humanas sofrem de uma grande instabilidade e vulnerabilidade: ora estamos submersos pela intempérie, ora flutuamos sobre uma leve maresia.

ANA MONTEIRO // “Weather Systems”, 9º álbum da banda britânica Anathema, revela-se como uma espécie de boletim meteorológico conciliando em si uma exposição de lutas e harmonizações entre diversos climas. O álbum abre com “Untouchable Part 1”, um tema portador de uma sonoridade que nos tenta a rever acordes do passado da banda. A este primeiro funde-se “Untouchable Part 2”, acompanhado de perguntas retóricas e de um adeus, ao sol, a alguém : “I had to let you go, to the setting sun”. As nuvens aproximam-se, ouve-se a chuva e numa sombra desponta “The Gathering of the Clouds”. Num ápice, somos levados na voz de Lee Douglas em “Lightning Song” a deixar de lado a escuridão e a ver optimistamente o que nos rodeia: “This world is wonderful, so beautiful/ If only you can open up your mind and see”. O último clarão de luz comparece em “Sunlight”, à qual se segue “The storm before the calm”, onde são exibidos sons mais agressivos nunca antes explorados por este grupo multifacetado. A violência desmorona-se com a chegada do single “The beginning and the end” que apresenta dogmas profundos já conhecidos da banda. Entramos na fase final do álbum com “The Lost Child”, que por entre a melodia de um piano entoa um caminho perdido que pede para ser salvo. Por fim surge um monólogo emotivo e arrasador que abre a faixa “Internal Landscapes”. Encerra-se assim o álbum com uma mensagem de despedida a quem vai, mas fica: “Goodbye my friend,/ life will never end.”

SARA PINTO // Liverpool, Reino Unido. À distância a aglomeração de nuvens escurece o céu, um presságio de tempestade iminente. No início houve relâmpagos, e no fim restou uma paisagem límpida e ensopada. Quando já se fez uma obra-prima, o que se faz a seguir? É a esta pergunta que os ingleses Anathema tiveram que responder quando iniciaram a realização do sucedâneo do brilhante ” We’re Here Because We’re Here”. Um disco que surpreendeu o mundo no ano de 2010 e que, redesenhou o espirito da música progressiva na década negra e difícil que actualmente atravessámos. Longe vão os tempos em que a banda dos irmãos Vicent, Danny e Jamie Cavanagh se dedicavam ao death / doom metal. Por isso, é escusado dizer que qualquer que seja o tipo de rock que é apresentado no “Weather Systems” está literalmente a anos-luz do som que os Anathema anteriormente praticavam. Mas, mesmo assim, não deixa de ser fascinante. No entanto, existe uma variação muito ténue da fórmula apresentada no precedente “We’re Here Because We’re Here”. Mas, o” Weather Systems” é capaz de emitir ondas incandescentes de um som assombrosamente belo, que irrevogavelmente perfurou as anteriores nuvens elegíacas. O “Weather Systems” trata-se de um disco que tem algo de romântico, mas ao mesmo tempo de sombrio, ou seja, é um disco que tem aquilo que os próprios músicos definem com sendo ” música para comover o ouvinte”, mas sem cair na banal lamechice. Vinte anos após o seu começo os Anathema são agora uma banda totalmente diferente. Inclusive têm uma vocalista feminina, Lee Douglas, que dá um ar mais etéreo à banda e que contribui em larga escala para adocicar o som actual dos Anathema. O álbum arranca com o harmónico e intenso “Untouchable Part 1” que se trata de uma faixa um pouco mais pesada do que aquelas que compõem o reportório mais recente dos Anathema. A faixa que se segue é “Untouchable Part 2″ e transporta-nos para o verdadeiro e conhecido território da banda. É profundo, com um plano de fundo musical rico e, mais uma vez a fabulosa voz de Lee Douglas marca a diferença e dá vida ” à luz que é tão brilhante”. Através destes dois temas pode-se ver que os Anathema rodopiam entre a majestosidade e a simplicidade dos arranjos procurando ser o mais incisivos possível. Segue-se “The Gathering of the Clouds” com uma rápida selecção acústica misturada com um piano minimalista, que cria uma intensa atmosfera, capaz de transmitir sensações muito fortes sobre o sentido da vida. “Lightning Song” revela o lado mais calmo da banda, à qual se segue o tema “Sunlight”, num registo mais eléctrico, onde os Anathema descarregam toda a sua força e intensidade. Por sua vez, “The Storm Before the Calm” retracta o lado mais experimental da banda. O grupo continua o seu percurso com o melancólico com o “The Lost Child”. “Internal Landscapes” permite fechar em estado de graça mais esta obra-prima dos Anathema. “Weather Systems” trata-se de um álbum soberbo e que fica melhor a cada vez que o ouvimos. As músicas estão interligadas de uma forma magnífica, que criam uma vontade no ouvinte de ouvir o álbum do início até ao fim, em vez de escolher músicas individuais. Este álbum sem dúvida consagra a brilhante carreira da banda.

JOÃO MAGALHÃES // O nono álbum de originais na já longa discografia dos Anathema, Weather Systems tem a ingrata tarefa de suceder a Were Here Because Were Here, o muito aclamado álbum anterior da banda. Ao contrário do seu antecessor, que esteve em gestação durante 7 longos anos, Weather Systems demorou apenas 2 a ver a luz do dia, surgindo como o próximo passo natural na evolução musical dos ingleses. Carregado do mesmo rock atmosférico com passagens progressivas, o álbum aguenta-se bem ao lado do seu brilhante irmão mais velho, continuando a percorrer o trilho de qualidade sonora a que os Anathema nos habituaram. Embora não conte com a participação do mágico Steve Wilson (que esteve envolvido na produção de Were Here Because Were Here), o nível das composições não sofre, mantendo a fasquia bastante elevada. Embora o disco deva ser apreciado na sua totalidade para ser compreendido em toda a sua extensão, com cada faixa a representar parte de uma obra maior, destaca-se a abertura, a cargo das duas partes de Untouchable (que têm vindo também a abrir os concertos da banda na actual digressão), e a sequência com as épicas The Storm Before The Calm e The Beginning And The End como momentos representativos do melhor que o álbum tem para oferecer. É de referir a grande preponderância da voz feminina na colecção de temas apresentados, com Lee Douglas a assumir-se cada vez mais como elemento fundamental na formação dos Anathema, levando temas como Lightning Song a uma nova dimensão. Weather Systems não é um álbum imediato, antes uma obra com várias camadas, concebida para ser apreciada com atenção. Não se revela por completo na primeira audição, mas recompensa o ouvinte que lhe dedica o seu tempo.

MARIANA PERFEITO // Weather Systems é um álbum intenso em que cada faixa se conecta fortemente com a anterior na construção de uma narrativa onde cabe toda uma série de altos e baixos de tensão melódica, bem como belos momentos orquestrais. Em Untouchable pt1 o ouvinte é apoderado pelo bater exaltado de um coração que é forçado a abdicar do que mais quer para poder seguir em frente, mas que acaba por se acalmar, ressentindo-se de todo o esforço que realiza na busca do Porquê? em Untouchable pt2. Não há melhor encadeamento para começar – nem melhor mote para continuar do que com The Gathering Of The Clouds onde os paralelismo nas letras enriquecem o ambiente de perturbação que se vive na tempestade musical. Lightning Song surge como um momento de iluminação e apercebimento, para dar lugar a Sunlight, a luz do sol que apenas havia falhado uns momentos. The storm before the calm é uma faixa que se alonga por 9 minutos e que se inicia com uma batida frenética e conturbada – seria até aqui a faixa que menos significa para mim mediante as outras, por lembrar um ritmo algo robótico – mas eis que no fim culmina numa belíssima resolução instrumental e melódica, das que mais me aprazem no álbum. The Beggining And The End reflecte um pedido de ajuda num tom mais cinzento e pesado, e The Lost Child revela com a sua melodia lenta e melancólica um ser perdido e sem rumo – e um novo pedido de ajuda. Finalmente, um regressar a uma certa paz que já tinha sido cantada, o aceitar do adeus com Internal Landscapes. No geral, observa-se em todas as faixas um registo de acumulação de tensão e libertação da mesma uns momentos depois, formando um ondular muito característico mas sempre pertencente a um mar de confusão, de um ser que está à procura de si próprio enquanto se continua a perder. Os instrumentos aliam-se de forma majestosa à batida rítmica e às vozes, constituindo uma atmosfera hipnótica de densidade harmónica e melódica muito interessante. Uma obra a ouvir como um todo, e de preferência com um bom par de phones.

 

As 5 reviews vencedoras para o concerto no Garage:

JOÃO CAETANO // Confesso que estava apreensivo para ouvir Wheater Systems. Considerando a grandiosidade do álbum de estúdio do Anathema no passado,Were Here Because Were Here, bem como a coleta do ano passado de material maravilhosamente reformulado, caindo cada vez mais, parecia impossível para Anathema superar-se. Ah, como eu estava errado. Não só Wheater Systems melhora cada elemento que fez os dois álbuns anteriores de modo especial, mas sobe para um nível completamente diferente. Ele capta as nossas emoções mais cruas, nossos maiores medos, e nossas esperanças mais sagradas e transporta-as em melodias, harmonias, letras, orquestração, performances e arranjos que são insuperáveis na música moderna. Sua punjança, a honestidade, a fragilidade e beleza são esmagadoras, do jeito que flui como uma viagem afetiva é incrível. É uma experiência que pode mudar vidas. Liricamente, musicalmente, e até mesmo visualmente, Wheater Systems se sente como o próximo capítulo da saga temática que começou com Anathema Were Here Because Were Here e continuou com Falling Deeper. Tópicos similares (morte, perda, amor, sonhos, união, etc) são exploradas, e o mesmo tipo de escrita introspectiva e produção celestial está presente. Naturalmente, como muitos dos títulos relacionados com o tempo,Wheater Systems também é cheio de simbolismo e metáforas, que aumentam muito o impacto do trabalho e ajudá-lo sentir-se como declaração singular. O génio de Wheater Systems é revelado quando se ouviu tudo de uma só vez, as músicas funcionam como complementos para uma grande visão geral (e não como ideias separadas), demonstrando a ambição de Anathema para criar uma obra-prima profunda. Apenas sobre cada faixa possui várias secções vocais e orquestração deslumbrante, e eles nunca deixam de se sobrepor a serenidade angelical. Desde os arpejos emocionantes de Untouchable Part I para as melodias reeditou de Untouchable Part 2, a partir das harmonias complexas de The Gathering of the Clouds (que, em uma exibição brilhante de coesão conceitual, apresenta o único membro feminino, Lee Douglas, anunciando: Mas nós estamos aqui porque nós estamos aqui) para o elegante Lightning Song, e do otimismo majestoso de Sunlight para os apaixonantes, vocais em várias camadas que conclui The Storm Before the Calm. Este álbum irradia sons deliciosos e palavras assombrosas. O vocalista Vincent Cavanagh nunca soou tão apaixonante como ele faz em The Beginning and the End, e a forma como as cordas orquestradas coincidem com o canto em The Lost Child é absolutamente soberba. Wheater Systems concluem com Internal Landscapes, ao mesmo tempo representa o fecho edificante e mágoa inabalável. Tal como em Presence em Were Here Because Were Here essa música combina passagens faladas (desta vez sobre a jornada de um homem em vida após a morte) e retrospectiva musical. Juntos, Cavanagh e Lee consideraram tudo o que a situação implica antes de chegar a um consenso final. A forma como eles cantam letras como Goodbye, my friend. Life will never end. And I feel you…For I was always there. I will always be there com o poder delicado como é maravilhoso. Simplificando, cada nota, palavra, timbre,Wheater Systems deve ser valorizado. Como jornalista de música, muitas vezes é muito fácil escrever com superlativos e entusiasmo irrestrito, no entanto, não há um pingo de hesitação ou hipérbole em declarar os sistemas climáticos o registro mais bonita, significativa e emocionalmente perfurando que eu já ouvi. Eu escutei dezenas de vezes, e seu poder ainda tem que diminuir. Além de apelar para os amantes da música excepcional, o álbum oferece conforto e orientação para os quebrantados de coração e espiritualmente resistente. Sistemas de tempo transcende as fronteiras da sua forma de captar a essência da humanidade. Eu não posso enfatizar o suficiente o quão especial e importante registro é este. É nada mais nada menos de uma preciosa obra de arte, e é garantido que dominam muitos Best Of listas no final do ano.

MARCO SOARES // Apenas dois anos após o lançamento do bem sucedido Were Here Because Were Here, os veteranos Anathema voltam aos registos discográficos com o longa-duração Weather Systems. Conhecidos por atingirem um público vasto, a evolução constante de sons ao longo da discografia tem tido um papel fulcral para produzirem mais e melhor, e perante uma carreira de mais de 20 anos, há quem possa duvidar da criatividade do grupo. Tendo tudo isto em conta, é sempre alarmante o que a banda fará em seguida. No entanto, demonstra-se uma evolução saudável no caminho traçado anteriormente – porém, se o trabalho anterior tinha uma sonoridade mais positiva e animadora do que foi demonstrado em toda a sua carreira, Weather Systems tende a desviar-se desse panorama. As Untouchables contempla-nos com uma abertura de realçam emoções e de meter corações a palpitar, servindo-nos com melodias e ritmos intensos, graças a um instrumental digno de glória e fortes vozes de Vince e Lee. Apesar de serem duas faixas separadas, cada uma distinta da outra, resultam claramente bem como uma só. Porém, encontram-se separadas por uma clara bipolaridade. Se a primeira é um grito de liberdade e espontaneidade, a segunda tem uma visão mais introvertida e intimista. The Gathering of the Clouds apresenta-se em rápidos acordes e num refrão arrepiantemente bem conjugado, dando continuação a Lightning Song, que nos contempla com um trabalho vocal de Lee Douglas indiscutívelmente belo. Como é conhecimento popular o ditado depois da tempestade vem a bonança, somos seguidamente apresentados com o inverso. Após um virtuoso Sunlight de temperamento calmo e melódico, surge-nos The Storm Before the Calm, como que uma tempestade negra de sons electrónicos e sinfónicos qb. Sendo uma faixa com uma personalidade diferente, tanto poderá ser uma lacuna como um dos pontos altos do álbum. Porém, é compensado com The Beginning of the End – um hino de esplendor em crescente melodia, vocais fortes e guitarras sólidas. The Lost Child, de início sussurrante e sensações flutuantes, segue com a fasquia bem alta, enquanto Internal Landscapes torna-se num momento menos criativo, sendo que segue a fórmula já usada em Hindsight. Porém, não deixa de ser uma óptima faixa, a fechar o álbum. Somos brindados com um óptimo álbum, onde nos mostra que o quinteto se encontra em óptima saúde criativa e recomenda-se. Sendo um álbum bastante acessível, poderá agradar a Gregos e Troianos. Mais um grande passo para o caminho (não tão distante) de fazer história no rock britânico.

FRANCISCO CARVALHO // Anathema são uma banda que eu nunca consegui descortinar muito bem. Desde as origens como Doom Metal,o grupo mostrou uma grande abilidade para evoluir e mudar o som mas mantendo sempre aquele feel que os destingue de outras bandas mais avante-garde que quando mudam de género perdem a sua identidade. Anathema soa sempre a Anathema. O seu novo lançamento, Weather Systemsé uma adição monumental para a constante mudança de Anathema, mesmo assim sem deixarmos de perceber que o legado musical esta lá! Wheater Systems como a maioria das criações da banda, é um álbum que requer sua atenção. Não é um ruído de fundo. Dá para tirar deste albúm tanto quanto mais atenção lhe dermos. Com isso dito, as duas primeiras faixas Untouchable Parts 1 e 2 são destinadas a ser ouvidas de frente para trás e vice versa. Começando começando com um dedilhado padrão de guitarra, o vocalista Vincent Cavanagh usa sua voz bem afiada para criar um dos sons mais emotivos na memória recente. A canção lentamente constrói, acrescentando em guitarras distorcidas e cordas, até que chega a um clímax, perfeitamente suave na transição para a segunda parte da canção. Essa música é tão emocional, com cantora Lee Douglass simplesmente transcendente em seu desempenho. Para mim é sem duvida uma das melhores cançoes do albúm No geral, eles sabem como arrasar. Eu realmente gosto da visão da banda, a letra da música, os sons, tudo.Estou muito animado com este álbum e espero vê-los ao vivo em breve.´

LARA COSTA // Weather Systems: Rock Atmosférico que nos prende do início ao fim. Untouchable Part I abre o album melodiosamente, com guitarras a um ritmo viciante para os nossos ouvidos, transpirando emoção por cada poro. Com Untouchable Part II, é quase como se ouvissemos uma versão mais melancólica da primeira, sem descuidar da beleza e do sentimento que ambas nos transmitem. The Gathering of the Clouds mostra-nos de seguida uma música mais tempestuosa e com garra, para depois nos apresentar Lightning Song, uma música que destaca a voz de Lee Douglas. Simples, eficaz e catchy. O album continua num estilo semelhante, na música seguinte, pela voz do guitarrista Danny Cavanagh, com Sunlight: Melodia simples e mensagem forte. O que nos leva de seguida para um dos pontos altos do album, The Storm Before The Calm. Uma música composta por dois actos, que se complementam na perfeição. Beginning And The End vem a seguir, e mais uma vez, consegue prender a atenção. The Lost Child é o próximo tema, um crescendo de emoções que tem a sua apoteóse no final. Ironicamente segue-se a ultima música, uma masterpiece ao estilo da mais antiga Hindsight, cuja mensagem de esperança finaliza o album na perfeição.

LUÍS MIRANDA // Os Anathema fazem parte de um conjunto de bandas especial, que evolui com cada novo album que constrói, melhorando as suas capacidades de composição e, consequentemente, passando para o lado de cá de forma mais expressiva a sua mensagem musical. Com Weather Systems, provam mais uma vez que são uma banda extremamente original, que foge à utilização de fórmulas passadas nas suas músicas. De facto, neste albúm, Daniel Cavanagh transcendeu-se ao escrever canções, mais ousadas do ponto de vista harmónico e muito apelativas poeticamente, criando composições e orquestrações extremamente belas que contrabalançam um lado emotivo mais pesado. O piano e as guitarras eléctrica e acústica continuam a dominar o som dos Anathema, mas é evidente que as cordas têm um papel essencial na textura das músicas. O álbum explora toda uma panóplia de emoções humanas sobre a morte e as nove canções reflectem o ultrapassar o medo que esta traz através da força do amor e também pela aceitação da sua inevitabilidade. O álbum funciona como um todo, musicalmente e liricamente, mas gostava de destacar Internal Landscapes, a música que fecha o álbum e está relacionada com uma experiência de quase-morte, pela sua pureza musical e expressividade emocional. Escutar este album é no fundo uma redescoberta mágica da arte de criar música de forma simples, mas tão emocionalmente expressiva que toca no fundo de cada um de nós. Em conclusão, é uma obra-prima que atravessa os sentidos com a sua intensidade. É um belíssimo album de rock, cheio de alienação, emoção, tenso, teatral, sufocante. Os Anathema excederam as expectativas, uma vez mais!