Festival Marés Vivas: 1º dia

Tânia Ferreira

Entrei no recinto quando os brasileiros Natiruts, que abriram o palco principal, davam os últimos acordes. Ainda que o acesso ao recinto tenha sido tarefa fácil graças ao livre passe, é de sublinhar, não consegui evitar um pequeno delay provocado pela viagem, mas felizmente os fotógrafos marcaram o ponto a tempo e horas para reportar em imagem a totalidade deste primeiro dia dos Marés Vivas. O espaço é muito mais modesto, em termos de capacidade, em comparação com, por exemplo, o SBSR, que decorre nas mesmas datas, mas marca muitos pontos pela vista soberba sobre o Douro.

 

Um olhar de deslumbre para o “postal” à nossa frente é interrompido pela subida ao palco dos Xutos & Pontapés. Abrem com “Sémen”. Entendemos na escolha a mensagem sublimar de homenagear Zé Leonel, fundador da banda recentemente falecido e autor da letra. Segue-se “Ai se ele cai” e é inevitável sentir um aceleramento nas músicas. Como em qualquer concerto da banda, público fiel a entoar religiosamente sílaba após sílaba do repertório, que intervalando com músicas do último álbum passou inevitavelmente por clássicos da banda como  “À minha maneira”, “Chuva Dissolvente” e o “Homem do Leme”. O concerto continou marcado pelo ritmo acelerado das músicas e não menos evidentes “pregos” e entradas a pés juntos… A meio da actuação, a guitarra do Cabeleira foi ganhando volume numa tentativa vã de ocultar algumas falhas demasiado evidentes. Podia-se pensar que o regresso de Zé Pedro (aqui fica mais um abraço de boas-vindas da nossa equipa) pudesse ser motor de desequilíbrio, pela obrigatória ausência [o guitrrista sofreu um transplante de fígado recentemente, caso algum leitor ainda não conheça a notícia] e consequente falta de ensaios, mas a (muito boa) actuação uma semana antes no Alive deita logo por terra esta teoria. De qualquer modo, vale a energia, vale o mérito de 3 décadas de carreira e vale o despertar de emoções que cada música evoca nos fãs. Mas não vale a prestação desta noite. Não numa banda com esta estrada. Não numa banda que marca gerações e a história do rock em Portugal. Só há desculpa porque são os Xutos. Mas por isso mesmo simultaneamente indesculpável.

 

A fechar a noite do Festival Marés Vivas, Manu Chao, numa prestação assinalável. Com vários projectos no curriculo, entre eles os estrondosos Mano Negra, é evidente a “estaleca” de palco e o á-vontade da comunicação entre os músicos que o acompanharam. A actuação trouxe-nos os hits mais sonantes, claro, como “Me gustas tu” e “Clandestino”, mas acima de tudo primou pela miscelânea de influências que se traduziu num desfile de identificações sonoras dos quatro cantos do mundo. Uma fusão quente de rock, punk, reggae e “mucha movida latina”. Tudo bem regado com uma energia estrondosa. Um bom fim de noite. Um bom augúrio para este segundo dia de cartaz.

P.S. marcadíssimos para falar com Moby. Aceitam-se sugestões de perguntas!