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Miramar

Miramar II

Universal Music, 2022-01-28

EM LOOP
  • Estocolmo
  • Recolher
  • Lisboa 2020
Nuno Sarafa

“Miramar II” traz-nos ondas do mar e paisagens arenosas. Traz-nos a Lisboa do fado antigo e o Mississippi dos blues, numa dúzia de composições que nos devolvem o calor em dias mais escandinavos.

Velhos conhecidos da música nacional, juntos, Peixe e Frankie Chavez são os Miramar, que acabam de editar o segundo capítulo de uma aventura que à beira-mar começou, há cinco anos, numa vila costeira dos arredores do Porto.

“Miramar II” é mais um capítulo de uma história contada a dois e em que o narrador são as próprias guitarras, cúmplices, e que tantas vezes se confundem entre si, ou a de Miramar não fosse música instrumental e experimental que evoca o mar e a paz de espírito.

Mas também o seu paradoxo. Como quando atravessa, em “Terra Arde”, terras áridas como as de um deserto esventrado pela Route 66. Ou quando o tremolo da guitarra eléctrica, em “Recolher”, nos transporta para uma espécie de western spaghetti de Sergio Leone, apenas contrariado pelo piano de Mário Laginha, que vai dando corpo a um ambiente mais clássico e etéreo. Ou então quando se passeia pelas fiordes, em “Estocolmo”, ou se perde nas ruas estreitas e nas escadinhas com sabor a fado de “Lisboa 2020”.

No fundo, “Miramar II” é uma viagem em que o único lirismo se traduz por sons e que pode levar o ouvinte mais distraído para lugares longínquos e inesperados. Quase sempre tranquilos, quase sempre ao sabor das ondas, sejam do mar ou de areia.

A música de Miramar prova, uma vez mais, ser especial, sensível, profunda e que vem de um lugar único – o interior de dois verdadeiros craques que a entregam com a mestria e a delicadeza de quem tem, sem dúvida, amor à sua arte.