Stuart Staples OK!

2011-10-13, Misty Fest, Centro Cultural Olga Cadaval
Redacção

O festival Sintra Misty 2011, decorre entre os dias 13 e 23 de Outubro no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra. Trata-se de um festival assumidamente alternativo onde o slogan é: Festival da música e das palavras.

Ninguém melhor para ser cabeça de cartaz da primeira noite que Suart A. Staples, conhecido por ser o vocalista dos Tindersticks e reconhecido pela sua voz intimista e melancólica. O som dos Tindersticks e em particular a voz de Staples abraçaram as “desgraças” e a nostalgia de algumas gerações durante os anos 90. E era esse o público que esperava por mais uma actuação sua em Portugal e desta vez com o privilégio de o vermos a solo ao fim de alguns anos de interregno.

Mas a abrir a noite esteve Sandy Kilpatrick. O escocês, que vive em Portugal, iniciou a sua actuação com um poema “A love letter to the moon”, acompanhado com uma projecção vídeo. Se não soubéssemos a sua ascendência rapidamente a adivinharíamos ou no mínimo daríamos um palpite para tentar acertar qual o país das ilhas britânicas de onde provinha, isto devido à sua carregada, mas deliciosa, pronúncia inglesa. Em seguida Kilpatrick pegou na sua guitarra e presenteou-nos com pouco mais de meia hora de canções, intervaladas com histórias. Se o som não fosse tão bom e o silêncio não fosse quase total durante as músicas até nos poderíamos imaginar num Pub em Glasgow, isto sem qualquer desprimor, apenas para realçar a sua boa disposição e habilidade para entreter. Teve, definitivamente, graça quando disse que morava em Sintra, mas que a canção que iria tocar em seguida se chamava “Oh, Lord take me home”. Mostrou a calma típica quando cancelou a introdução da harmónica numa canção, porque o suporte que a deveria segurar não o fez. Rapidamente disse que nunca tinha gostado daquela harmónica e que o momento Bob Dylan acabava de ser cancelado. Finalizou a sua actuação com mais um poema, em seguida uma pequena pausa e às 22:30 Stuart Staples subiu ao palco acompanhado por David Boulter, no piano e teclados e por Dan McKinna no contrabaixo.

Se Sandy Kilpatrick comunicou, mesmo tendo noção que seria um desconhecido para a grande maioria dos presentes, Staples não foi muito dado a conversas, mas chegou-lhe pegar na guitarra acústica, mostrar a sua voz grave para nos embalar nas suas letras melancólicas e certamente para nos transportar a um passado mais ou menos recente (ou queremos acreditar nisso). Numa actuação de mais de uma hora Staples e comparsas fizeram-nos viajar pelas suas músicas e claro por algumas canções dos Tindersticks, onde houve tempo para experimentar novos arranjos e afinar calmamente a guitarra. Este concerto não foi mais que ouvir Tindersticks numa guitarra acústica e com arranjos minimalistas, mas é o suficiente. É um daqueles concertos que se podem ou devem ver sentados e quando a isso se pode juntar o confortavelmente sentados, uma acústica fabulosa e uma iluminação simples mas muito bem conseguida o cenário é perfeito. Entra na alma. E Sintra é já ali.

Por Nélio Matos | Fotos de Rui Lourenço