SWR – DIA 4

2012-04-29, Barroselas
Nero

Passando directamente pelo SWR Arena onde tocavam os RA deparamo-nos com uma das boas surpresas do festival este ano – no palco 2 os brasileiros Woslom mostravam ser valorosos porta-estandarte da tradição do thrash metal do seu país. A banda começou um pouco atabalhoada, mas quando já se esperava mais um concerto com pouca história explodiram para uma boa prestação – principalmente os dois guitarristas, que mostraram criatividade, técnica e muito equilíbrio nos desenhos melódicos do seu som clássico. Sinceramente, a nível de guitarras a banda chegou a mostrar nível para almejar outro tipo de voos. No final, o que parece puxar os Woslom um pouco para trás é o próprio calcanhar de Aquiles de tantas bandas na actualidade “metaleira”, bateristas com alguma inconsistência rítmica e principalmente dinâmica. Aliás, esse foi um factor que tornou desastrosa a actuação dos Mother Of The Hydra – não duvidando das dificuldades de monição de que os músicos eventualmente padeciam no palco gratuito do festival e mesmo já ouvindo prestações consistentes quer à banda, quer ao seu baterista, a verdade é que precisam de rever esta opção. Um concerto como o que sucedeu no SWR não é compatível com o valor que os músicos já deixaram patentes noutros projectos.

 

Quando os The Firstborn subiram a palco já haviam passado os concertos de Bloodsoaked e Eccentric Pendulum, sem grande história. Mas os portugueses liderados por Bruno Fernandes, que se mostrou um frontman com uma dimensão considerável, mudaram para melhor o percurso deste quarto dia de festival. Com o novíssimo álbum na bagagem, ” explodiram sonoramente e artísticamente o palco 1 através duma secção rítmica colossal, dois guitarristas competentes na estruturação dos temas e depois Bruno Fernandes na voz e com mais uma guitarra a reforçar harmonicamente a sonoridade da banda, tal como Simões [Blaste Mechanism, Saturnia] o faz com a cítara. O único pecado no som terá sido alguma falta de definição entre o som das 3 guitarras. Um grande concerto de músicos com maturidade e solidez que, infelizmente, não são assim tão comuns no nosso unmderground.

Naquele que terá sido o dia com maior escassez de concertos memoráveis, seguiram-se os Foscor e Ondskapt. Não que se possa dizer terem sido maus concertos, mas são bandas que se mantiveram sem quebrar quaisquer fronteiras genéricas, em actuações sem grande alma. A ausência de alma acaba por ser o pior inimigo dos doomsters brasileiros Mythological Cold Towers, que insistem numa sonoridade ultrapassada, sem conseguirem no mínimo o poder sonoro que normalmente pontua as bandas de death doom e quedando-se em todos os clichés do género, todos! Até uma teclista feminina. Não o afirmo misogenamente, até porque a senhora se mostrou bastante mais competente que os guitarristas da banda, com leads de guitarra executados de forma pueril e sem convicção.

 

O cancelamento dos Hirax permitiu restabelecer forças e matar a sede enquanto se esperava pelo surgimento dos Process Of Guilt [em entrevista na edição em banca, a AS #25]. Se “FÆMIN” é um colosso em estúdio, a sua demonstração ao vivo não deslustrou em solidez e consistência, ainda que neste concerto os temas não tenham surgido como aquela parede megalítica, mas com um acréscimo de sentido live, com maior liberdade individual entre os músicos, o que permitiu mesmo alguma exuberância que acabou por manifestar-se da pior maneira na SG de Nuno David, que no último tema ficou sem a 5ta corda. Oportunidade para outra demonstração de coesão da banda – mal se notou esse acidente na generalidade do som. Depois de Firstborn, os POG afirmavam este dia de festival como o dia do triunfo do underground nacional!

Contudo, o público estava centrado para a actuação de Asphyx. Os veteranos holandeses do death metal tiveram a grande aclamação do quarto dia de SWR, contudo a nós o concerto pareceu-nos demasiado preso ao passado – os próprios temas da banda soam longe daquilo que o vocalista chegou a demonstrar em Pestilence. Além disso, os músicos pareceram fora de forma, principalmente Bob Bagchus. Também fora de forma pareceram os Warhammer.

O facto de como as bandas encaram a sua carreira, por mais especulativo que este exercício possa parecer, faz toda a diferença na forma como estas se apresentam em palco. Isto para dizer que os nuestros hermanos Legacy Of Brutality sem mostrar nada surpreendente no seu set, conseguiram transmitir a brutalidade que os denomina. Um bom som, blast beats quase ininterruptos e grande coesão entre os músicos acabaram por fazer terminar bem mais uma etapa do festival minhoto.