VAGOS OPEN AIR’11 [dia 01]

Nero

A equipa AS chegou à Lagoa de Calvão e ao recinto desta 3ª edição do Vagos Open Air quando já tinham tocado os Revolution Within e os Crushing Sun. Os Essence mostraram-se competentes, mas com uma sonoridade mais apostada nas bandas que reverencia, Kreator e Slayer foram alvo de tributo directa (no caso destes últimos) ou indirectamente – são escolhas, e não parecem impedir que a banda vá conseguindo crescer e sustentar uma carreira, num sinal de que muitas vezes o público deseja tradição em vez de inovação.

Esse debate é levantado a cada actuação dos Anathema. Para lá dos gostos de cada um, a banda, agora com o músico nacional Daniel Cardoso nas teclas, esteve em bom plano e com atitude bem positiva, procurando interagir com o público desde o primeiro instante. Aqueles que são fiéis à banda e veneram os últimos trabalhos tiveram um final de tarde em cheio, só prejudicado pelas inadmissíveis quebras de energia, que se repetiram umas 4 vezes durante a actuação, 3 vezes no tema “Empty”. A banda jamais se deixou esmorecer, e manteve sempre uma grande atitude. Para aqueles que foram desligando da banda após “The Silent Enigma”, o concerto foi como sempre tem sido nos últimos anos, “Fragile Dreams”, “Closer” ou ” Deep” são rock, não são doom! Comparado com o concerto no Tivoli o ano passado, a banda aqui mostrou-se muito acima, a benificiar da rodagem que a estrada tem dado ao novo álbum e aos músicos.

Os Tiamat que depois dos marcos no metal que foram os álbuns “Clouds” e, principalmente, “Wildhoney” vieram a revestir cada vez mais a sua sonoridade de camadas enormes duma estética gótica, surgiram em palco como um tributo a Sisters Of Mercy – demasiado colados a essa referência mesmo. Contudo, o estatuto adquire-se e a fidelidade mantém-se através de bons temas como “Whatever That Hurts”, “The Sleeping Beauty” ou “Gaia”, hinos que permitiram a Johan Edlund seguir a sua carreira dentro do seu próprio fascínio musical, de seguiar atrás dos britânicos já referenciados com coisa como “Brighter The Sun” ou “Cain”, por exemplo. Pelo menos, toca os temas clássicos que elevaram a banda onde esta está hoje e isso não se pode dizer de todos os nomes presentes no cartaz.

Os Opeth neste momento são uma banda à parte no universo do metal. E por isso mesmo também, neste dia em que o Vagos terá tido o seu recorde de público, se viam muitas t-shirts com o “O” floreado que forma o logotipo dos suecos. Um concerto com “sonzão” e, claro, com uma banda que simplesmente quase não dá pregos; cada concerto é propaganda de perfeição, de reprodução do que é gravado em disco – essa concentração só é aligeirada nas conversas que Mikael Åkerfeldt mantém com o público. É exemplar o flow tremendo dos compassos decompostos que a banda impõe a tantos dos seus riffs, basta dar como exemplo “The Grand Conjuration”, que abriu o set, ou a suavidade com que a banda impõe o seu enorme espaço dinâmico em temas de fusão, nunca de choque, como “Face Of Melinda” – não esperava ouvir algo do meu álbum favorito da banda “Still Life” – ou “In My Time Of Need” que sucedeu a “The Lotus Eater”. E se o último álbum, “Watershed” esteve representado com este último tema citado e ainda com “Hex Omega”, já do trabalho que vai sair em Setembro não foi possível ouvir qualquer tema, nem sequer “The Devil’s Orchard” que já foi apresentado como primeiro single. Contudo quem ouve, ainda assim, “Master’s Apprentices”, “The Drappery Falls” ou “Deliverance”, jamais se pode queixar de um concerto. Ainda houve tempo para brincadeiras como um tease com a entrada de guitarra de “Welcome To The Jungle”. Que o novo álbum os traga rapidamente de volta!