Hendrix por Rui Fingers

Hendrix por Rui Fingers

Nero

No ano que passam 50 anos da morte de Jimi Hendrix. A criatividade, som e influência do Mago, segundo Rui Fingers.

Numa era em que o formato do rock era restringido, muito como sucede hoje em dia, por ordenanças de consumo massivo, de estereótipos de rádio, o trio que o visceral baterista Mitch Mitchell, e o baixista vindo da guitarra, Noel Redding, completavam com Jimi Hendrix explodiu essas ideias pré-concebidas.

O psicadelismo era exposto em longas sessões de improviso, a guitarra era catapultada para um patamar violento com os amplificadores puxados com o gain no máximo e distorcidos através do mítico Arbiter Fuzz Face, e a introdução do feedback como um elemento musical. Ao assassinar o percurso até aí palmilhado com coisas como “Killing Floor” (tocado em sessão com os Cream, na altura com Eric Clapton e Pete Townshend), o músico abria uma nova era para o instrumento que o imortalizou.

Nas palavras do virtuoso português Rui Fingers: «Jimi “Little Wing” Hendrix, sem dúvida alguma, é um dos três grandes responsáveis pela minha paixão pela música e, especificamente, pelo instrumento fantástico que é a guitarra e o que para mim representa. Desde a primeira vez que escutei Hendrix, que imediatamente ficaram gravados no meu subconsciente aqueles sons e texturas, que emanavam deste artista fenomenal. Era de facto algo muito avançado para a altura, mesmo nesse tempo em que ouvi pela primeira vez, que não coincide, pela minha idade biológica, com o time frame daquelas mesmas gravações.

O facto de ser canhoto e de usar a “Strat” com o corpo invertido também deve ter tido influência no playing style de Jimi. Inconscientemente também deve ter exercido um forte fascínio sobre mim, todo aquele glamour e atitude descomprometida com tudo o que o rodeia. Seguramente também o transformou numa referência para os outros músicos, guitarristas ou não. Era o quebrar de muitos tabus em termos de atitude em palco, e também na vida “real”, já que ele não se preocupava muito em “esconder nada” dos media e público em geral.

Em termos pessoais, o que mais me influenciou foi mesmo o manancial de sensações e inspiração que me invadem sempre que oiço este génio da guitarra. Ainda hoje, acontece-me imensas vezes, sem pensar, dar por mim a escutar um disco do Hendrix. Não por questões tipo cena “trintage” (vintage já não dá), mas por puro prazer sónico. É, sem dúvida, mais que um guitarrista. É um dos grandes músicos do meu (nosso) tempo! Saudações “hendrixianas”!»