AS10 Novos Álbuns Obrigatórios no NOS Primavera Sound’18

AS10 Novos Álbuns Obrigatórios no NOS Primavera Sound’18

António Maurício

De Lorde a The War on Drugs passando por Mogwai ou Tyler, The Creator, vários são os artistas que levam novos álbuns ao Primavera.

O cartaz do NOS Primavera Sound está fechado e igualmente apinhado por um cabaz de artistas que merecem a atenção dos teus ouvidos. Muitos dos nomes apresentados editaram recentemente novos projetos musicais e a Arte Sonora fez um apanhado com 10 nomes essenciais a não perderes no festival do Porto.

Lorde – Melodrama | O mais recente lançamento de Lorde, “Melodrama”, revela um avanço para uma sonoridade mais dançável, aproxima-se do género electrónico, mas mantém a artista centrada no seu próprio destino. “Royals”, o êxito de “Pure Heroine”, de 2013, que impulsionou a carreira da jovem de (agora) 21 anos continua actual, mas queremos ver como Lorde se safa agora com o projecto da sua discografia ao vivo. De relembrar ainda que “Melodrama” entrou na lista dos 10 melhor álbuns internacionais da Arte Sonora.

Fever Ray – Plunge | A capa de “Plunge”, da sueca Karin Dreijer, é, no mínimo, curiosa. Tal como a música que a acompanha. A produção experimental entra em colisão com uma voz carismática que desperta a atenção e a imaginação de qualquer ouvinte. São faixas que saltam entre o calma e o caos, construindo sonoridades únicas até para os fãs de música electrónica. “Plunge” também teve lugar na lista dos 10 melhores álbuns internacionais da Arte Sonora.

The War on Drugs – A Deeper Understanding | A caminhada entre músicas fantasiosas e deslumbrantes dos The War on Drugs continua em “A Deeper Understanding”. O projecto liderado por Adam Granduciel apresenta uma  enorme subtileza e sensibilidade artística. Uma excelente referência de rock que tem todos os elementos para brilhar ao vivo e criar harmonias etéreas no Parque da Cidade do Porto. Em caso de dúvida, pede a alguém para te beliscar. “A Deeper Understanding” foi considerado o melhor álbum Rock nos Grammy Awards.

Vince Staples – Big Fish Theory | Como um grande peixe em crescimento dentro de um pequeno aquário, Vince Staples quer crescer dentro do espectro em que está inserido. Em “Big Fish Theory”, mergulha com rimas em produções electrónicas como poucos teriam coragem de fazer e nada sobre faixas que abordam temáticas sociais, políticas ou sentimentais/pessoais, com uma visão quase sempre cética e radical. Há ainda espaço para os lemas de conquista e auto-glorificação que, muito provavelmente, vão formar ondas de movimento ao vivo.

Kelela – Take Me Apart | O R&B de Kelela é tão belo como progressivo. Garante o seu lugar de mérito no género pela sua originalidade, tanto na produção como na forma com que nos entrega a sua voz. O novo “Take Me Apart” é um excelente híbrido entre electrónica e R&B e ganha prestígio pela atenção e empenho nos pequenos detalhes. A voz de Kelela vai certamente afirmar-se como a sua grande arma ao vivo, prendendo a concentração do público no Porto. “Take Me Apart” também foi referido com um dos melhores álbuns internacionais de 2017 pela Arte Sonora.

Father John Misty – Pure Comedy | Tal como o nome do último álbum editado parece indicar, Father John Misty tem um sentido de humor bastante desenvolvido. As letras são o exemplo perfeito disso, pela forma como reflectem sobre problemas humanos com uma graciosidade e escrita muito própria. A voz de Tillman é identicamente talentosa e faz um cruzamento certeiro com os vários tipos de instrumentalização utilizados ao longo de um álbum indie/folk. Father John deu um excelente concerto no Coliseu dos Recreios. Não esperamos menos…

Mogwai – Every Country’s Sun | As elegantes e serenas instrumentalizações proporcionadas nas faixas dos Mogwai são dignas de serem apresentadas em filmes. Literalmente. A banda já trabalhou em variadas bandas sonoras (“Before the Flood”, “Les Revenants” ou “Zidane”, só para citar algumas) e continua a produzir faixas que são desenvolvidas através da adição, subtração e mutação de instrumentos em complexas equações. Tudo isto é particularmente redimensionado de forma mais majestosa ao vivo. Vê a própria review da Arte Sonora ao mais recente disco.

Tyler, The Creator – Flower Boy | O general dos Odd Future, colectivo que agrupava nomes como Frank Ocean ou Earl Sweatshirt, cresceu imenso desde o seu álbum de estreia em 2011. Os temas mudaram substancialmente, tal como a produção (sempre completamente nas mãos de Tyler) que se tornou mais recheada e influenciada por jazz e soul, em comparação com os trabalhos iniciais. “Flower Boy” revela-se suficientemente abrangente para o público bailar com faixas como “911/Mr. Lonely” ou saltar freneticamente com “I Ain’t Got Time”.

IDLES – Brutalism | O carácter irónico, mas sempre audaz dos IDLES, entra em colisão frontal com o punk. As performances ao vivo são caóticas (exemplo visual) e os cinco membros da banda inglesa conduzem as músicas com uma energia irascível. Uma inspecção à realidade actual conduzida por uma atitude radical e humorista, mas sobretudo honesta, que é complementada com tempos rápidos, agressivos e sons musculosos.

Thundercat – Drunk | A habilidade musical de Thundercat a tocar baixo, por si só, merece ser contemplada ao vivo. O músico de 33 anos já foi membro dos Suicidal Tendencies, trabalha frequentemente com Flying Lotus ou Kendrick Lamar e agora encontra um maior reconhecimento a solo com o mais recente álbum “Drunk”. As hipnóticas linhas de baixo vão deslizar por faixas picadas por funk, electrónica e jazz, enquanto que a voz de Thundercat faz o acompanhamento de forma pacata.