Duff McKagan, Discos Punk Obrigatórios

Duff McKagan, Discos Punk Obrigatórios

Redacção

As raízes punk do baixista dos Guns N’ Roses são bem conhecidas. A preparar a edição de um disco sobre os seus tempos no underground punk hardcore de Seattle, Duff McKagan elege os sete discos mais importantes do género na sua vida.

Claro, Duff McKagan é mais conhecido como o baixista dos Guns N’ Roses. Mas as suas credenciais punk – tocou guitarra nos 10 Minute Warning, bem como bateria com os Fastbacks, entre outros – nunca estiveram em questão. Recentemente foi revelado o lançamento de “The Living: 1982”. O novo mini-álbum recolhe sete canções, todas escritas por McKagan e gravadas há 39 anos com a sua banda punk The Living – e representa o primeiro lançamento oficial de material da banda.

Para além de um adolescente McKagan, que toca guitarra no disco, os Living apresentaram o baterista Greg Gilmore, que se tornaria membro original dos Mother Love Bone, o baixista Todd Fleischman e o cantor John Conte. A música, por sua vez, é uma fatia de punk hardcore e rock de Seattle. McKagan diz que essa banda, activa por muito pouco tempo teve um impacto duradouro na sua própria vida. «Ajudou-me realmente a formar-me como músico e compositor e convenceu-me de que era isto que eu ia fazer para sempre», diz.

Para celebrar o lançamento de “The Living: 1982”, McKagan sentou-se com a Revolver para recordar alguns dos seus discos punk e hardcore favoritos de todos os tempos. Escolheu sete, mas garante que «podíamos colocar 50 discos punk na lista e todos eles iriam ser relevantes!»

Black Flag – My War (1984) | O primeiro concerto que dei foi abrir para os Black Flag com o [vocalista] Ron Reyes. Depois vi Black Flag com o Dez Cadena. E depois a minha banda, 10 Minute Warning, conseguiu tocar com Black Flag em alguns dos primeiros concertos do Henry [Rollins’]. Fizemos Seattle, fizemos Portland, fizemos Vancouver. E só de ver como ele era intenso… “My War” foi realmente um grande retrato do Henry. É uma gravação realmente crfua, não há nada na voz, não há nada na guitarra, nem no baixo ou na bateria. É uma sala com um microfone dentro. Tinha uns 18 anos e a angústia que teens e as mudanças por que passa a tua vida nessa altura esse disco como que personificava os pensamentos que tinha na cabeça. E o Henry, quero dizer, aquele gajo é o cabrão do rei.

D.O.A. – “The Prisoner” (1978) | Escolho o single “Prisoner” em vez do primeiro álbum dos D.O.A., “Something Better Change” (1980), porque foi o primeiro single punk que comprei. estávamos em 1978 e era a cena mais rápida e demente que ouvira até aí. Foi esse single que me converteu ao punk rock…

Germs – DI (1979) | Portanto, claro que nessa altura não havia Internet… Por isso, o que farias se gostasses de música era ir à loja de discos e falar com o tipo atrás do balcão. Havia uma loja de discos [em Seattle] chamada Cellophane Square onde se obtinha a informação sobre o que era novo. E o nosso tipo atrás do balcão era Scott McCaughey, que mais tarde tocou nos Young Fresh Fellows e R.E.M. e todas estas outras coisas. E ele disse: «Há esta banda de L.A., a Joan Jett produziu-os…» E todos nós adorávamos as Runaways e a Joan Jett. Ele meteu o disco a tocar na loja e pensámos: «Mas que porra?» Comprar um disco era algo a considerar, porque era preciso poupar algum dinheiro. Mas comprei o disco dos Germs e ouvi-o uma e outra vez. Só as letras e o som da guitarra e a rapidez daquela cena… Tornou-se o meu disco favorito daquele ano.

Minor Threat – Out of Step (1983) | Nunca cheguei a ver os Minor Threat. Estavam muito longe, em D.C., mas lia-se sobre eles na Maximum Rocknroll e, até certo ponto, na Flipside. Então, estava a ler sobre esta cena fixe a emergir em D.C., e consegui este disco e fiquei: «Filhos da puta! Estes gajos fizeram um disco inteiro!» Porque eles tinham a minha idade. Não eram mais velhos, como os Pistols, os Clash ou mesmo os D.O.A. Tinham a mesma idade que eu! E esse foi também o ano em que deixei de beber e de consumir drogas. Não que estivesse a marcar-me como straight edge, mas estava a tentar levar a minha música a sério, e tinha estado a consumir drogas e a beber desde muito novo. Por isso, identifiquei-me com os Minor Threat.

Generation X – Generation X (1978) | Qualquer pessoa devia ter o primeiro álbum de Generation X, na minha opinião. É um disco que me ensinou muito. Eram todos excelentes músiocos e o Billy Idol, como sabem, um cantor do caraças. É o Frank Sinatra do punk rock. Naturalmente, acabou por construir uma espantosa carreira a solo. Este disco é um autêntico clássica em qualquer género – punk, hard rock, o que quer que lhe queiram chamar.

The Vibrators – Pure Mania (1977) | Este primeiro disco dos Vibrators, com o tema “Baby Baby”, são os 32 minutos (ou lá quanto tempo tem) mais divertidos de sempre de perfeitas canções pop. São todas uns dois minutos e escritas de forma exemplar. Havia algumas bandas punk rock mais para a diversão, como os Devo e isso. E adoro Devo, mas os Vibrators, não sei quanta notoriedade atingiram, a par dos Squeezer e algumas outras bandas assim, são a mais pura diversão pop.

Motörhead – Ace of Spades (1980) | Os Motörhead são uma banda punk? Quer dizer, considerávamos os AC/DC uma banda punk, sabem? Não sei se realmente importava o quão curto ou longo era o teu cabelo. Nada dessa merda importava. Para mim, 1980 foi quando o punk começou a ramificar-se. E os Motörhead… Filhos da puta! Saiu o disco “Ace of Spades” e deixou toda a gente siderada. Tão feroz. E sabem, penso que mais tarde, na América, Motörhead tornou-se aceite na cena mais mainstream do hard rock, mas garanto-vos que as suas primeiras digressões nos EUA foram, principalmente, em clubes de punk rock. Eles eram definitivamente considerados uma banda de punk rock. Porque o punk rock foi sempre sobre ser autêntico e verdadeiro – e não há banda mais verdadeira do que os cabrões dos Motörhead.

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