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ENTREVISTA | Musicbox: 15 Anos da Mítica Caixa de Música do Cais do Sodré

ENTREVISTA | Musicbox: 15 Anos da Mítica Caixa de Música do Cais do Sodré

Nuno Sarafa
Ana Viotti

A caixa de música do Cais do Sodré já tem 15 anos de vida! Milhares de concertos e outras tantas noites de clubbing depois, a Arte Sonora conversou com Gonçalo Riscado para um balanço do que já passou e a expectativa em relação ao que está por vir.

No número 24 da Rua Nova do Carvalho – a famosa rua cor-de-rosa – existe um armazém do século XIX com ares de caverna comprida, paredes e tecto originais de pedra, e que se transformou, na última década e meia, numa das mais aclamadas salas de espectáculos da capital – o Musicbox Lisboa.

Quando abriu as portas em 2006 com um concerto dos 1-Uik Project de Lil’ John e Kalaf, esta caixa de música dava – inadvertidamente – início a uma revolução no Cais do Sodré, ajudando a transformar aquele bairro nem sempre falado pelos melhores motivos no principal centro da vida nocturna de Lisboa.

O Musicbox, que ocupa – já la vão 15 anos – o espaço outrora do Texas Bar, veio recuperar algum do espírito de salas icónicas dos anos 1980 e 1990, como o Johnny Guitar ou o Rock Rendez-Vous, e exibe orgulhosamente uma agenda invejável e ecléctica de cerca de 200 concertos e 250 noites de clubbing por ano.

Sejam talentos emergentes ou nomes consagrados ou em vias de consagração, a porta e o palco desta já mítica casa têm estado sempre abertos para acolher o que de melhor se vai fazendo na música, seja nacional ou internacional.

CONTORNAR A PRESSÃO IMOBILIÁRIA E A TURISTIFICAÇÃO

«Queríamos fazer um clube diferente do que havia em Portugal, em que o foco fosse a música, mas que tivesse também outras artes e manifestações culturais», conta-nos Gonçalo Riscado, um dos culpados pela criação, gestão e sustentabilidade do Musicbox.

Constituindo-se como o epicentro do trabalho desenvolvido pela CTL – Cultural Trend Lisbon, empresa que se dedica à gestão e produção de conteúdos culturais autosustentáveis, independentes e multidisciplinares, o Musicbox assume-se assim como um híbrido entre a sala de espectáculos e um espaço de dança que foi buscar inspiração aos lendários clubes anglo-saxónicos.

Tudo começou em 2006 com um passeio nocturno de Gonçalo Riscado e Alex Cortez pelo Cais do Sodré. Estes empreendedores desde sempre ligados às artes repararam que aquele velho armazém estava desocupado e começaram imediatamente a sonhar. Do sonho à realidade foi um piscar de olhos.

Feitas as devidas pesquisas, a dupla descobriu que o dono do espaço tinha uma loja de pneus na avenida Almirante Reis. Gonçalo Riscado e Alex Cortez, igualmente sócio da CTL, foram então falar com o proprietário e propuseram a compra do espaço. Assim começava a aventura. O resto é história.

À época, o crédito bancário ainda era fácil de obter e o Cais do Sodré ainda não estava tão valorizado. Se fosse hoje era impossível, conta Gonçalo. E foi precisamente o facto de serem proprietários (e não arrendatários) do espaço que permitiu à CTL contornar as sucessivas crises económicas que o nosso país atravessou na última década e meia, ao contrário do que tem acontecido com outros espaços nocturnos que nos últimos dois anos foram obrigados a encerrar portas.

Apesar dos efeitos nefastos da pandemia, da pressão imobiliária ou da turistificação da cidade, esta casa vai sobrevivendo, crise após crise, apagando agora as merecidas 15 velas.

Carrega no play em baixo para conheceres melhor o Musicbox, numa entrevista em que Gonçalo Riscado fala do passado, do presente e do futuro de um dos mais importantes clubes da cidade da luz boa.

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