Omar Hakim: uma referência na bateria

Omar Hakim: uma referência na bateria

Nero

Com 52 e uma carreira de 40, na qual gravou com nomes como Sting [no álbum de estreia a solo deste], David Bowie, Weather Report ou Dire Straights, Omar Hakim tornou-se um dos mais respeitados e reconhecidos bateristas da cena mundial. Actualmente mais dedicado ao jazz, esteve em Portugal para uma workshop [organizada pela Caius] e um festival, e também para falar da sua carreira à AS, naturalmente. Aqui fica algum do Know How que partilhou connosco.

O controlo dinâmico é o factor mais importante num baterista?
A dinâmica e o ouvido. Ouvires a música e perceber que ser baterista não é tanto sobre o que tocas, mas mais sobre o que NÃO tocas! Saber perceber o teu espaço, afinal um disco deve ser feito por uma banda, cada músico a suportar o músico que está ao seu lado, cada um com as suas partes e a banda a saber colá-las juntas.

É a experiência que vai acabar por definir o baterista, a sua rodagem?
Penso que não há qualquer dúvida a esse respeito, em qualquer instrumento! Com a experiência ficas mais confortável e há coisas que não aprendes na escola, é assim mesmo, tens que aprendê-las on the job! E quanto mais tocas, com músicos diferentes, em bandas diferentes, mais informação acolhes.

Ouvires a música e perceber que ser baterista não é tanto sobre o que tocas, mas mais sobre o que NÃO tocas!

Tiveste algum input neste novo modelo da Pearl, a Reference?
[Reference Series – Purple Craze: bombo de 24×18 ou 22×18; timbalões de 12×9 e 13×10; timbalões de chão de 16×16 e 18×15. A tarola é o seu modelo de assinatura]
Uma coisa que se pode dizer mesmo sobre a Pearl é que eles gostam de envolver os artistas. Enviam-nos protótipos, entrevistam-nos para saber a nossa opinião. Essa é a forma da Pearl fazer as coisas. São uma companhia muito atenta às necessidades do baterista contemporâneo. Algo que seja especificamente uma ideia minha, é a minha tarola de assinatura.

Que especificidades tem o teu modelo de tarola?
Senti que necessitava de uma tarola que ocupasse espaços diferentes em relação às que existiam no mercado, afinal a última coisa que é precisa é mais uma tarola para guardar na prateleira da loja de instrumentos. Reparei que muitos bateristas “coleccionavam” tarolas, de diferentes tipos, e depois nos anos 90 surgiram as tarolas piccolo. Senti que não necessitava disso, mas de um tamanho que não via por aí, normalmente, e decidi-me por um raio de 5×13. Escolhi o mogno africano como madeira, porque muitas vezes em tambores mais pequenos o som torna-se muito fino, mas este tipo de madeira tem uma tonalidade quente com um bom low-end. Quanto tens 13″ de diâmetro por 5″ de profundidade afastas-te duma tarola piccolo e já estamos na zona duma tarola alto, pelo menos gosto de chamar-lhe uma tarola alto. O que mais gosto neste modelo é que posso afiná-la de modo a fazer o mesmo que uma piccolo nas frequências altas, mas ainda consegue ter profundidade devida à madeira. E ainda lhe posso meter outra pele mais espessa, como uma pele Emperor, e afiná-la para registos mais graves. É uma tarola muito versátil e permite poupar muitos modelos na tua colecção de tarolas!

 

[entrevista completa na edição impressa da Arte Sonora nº 21]