FESTIVAL OPTIMUS ALIVE’11 [09.07]

FESTIVAL OPTIMUS ALIVE’11 [09.07]

Nero

Neste último dia os Stereopack abriram o palco Super Bock. Estes brasileiros que começaram há pouco mais de um ano, pelas mãos de António Avelar e Felipe Todaro, ainda é tudo muito recente e até os próprios afirmam ser “um sonho estar aqui a tocar para vocês”, força rapaziada, para a frente é o caminho.

Depois seguem-se os Wu Lyf, sigla que significa World Unite! Lucifer Youth Foundation. São bastante enigmáticos e, apesar da entrevista que cederam, coisa que é rara, não deu para convencer, nem sequer para impressionar. A vocalização aspira a um dia chegar perto do joanete de Tom Waits. Uma banda oriunda de Manchester ou é boa, ou se torna boa, a terceira hipótese espero não ser necessária, pois até ser bom necessita comprovativo, para já excluindo um ou dois momentos mais conseguidos deixaram muitas dúvidas. A banda esteve num concerto só seu, estavam em palco como se estivesse sozinha no festival, não era nada com eles.

Já no palco principal, a coisa volta à normalidade e os LuluLemon dão um excelente aquecimento para a noite que se aproxima. Um som tremendo e envolvente que, além de poder servir a banda sonora de Pulp Fiction,por exemplo, também ilustra bem a tarde/noite que foi a mais sólida de todos os dias de festival no que concerne a este palco. A banda de Vale de Cambra, que foi a vencedora do concurso Optimus, destilou bom blues pelo recinto a abrir caminho para os White Lies. E estes, se o ano passado em Paredes de Coura, deram um grande concerto, aqui não ficaram nada atrás. Mudou o número de assistentes (dobrou) e gravaram mais um álbum, que foi peça essencial no final do concerto. Não falta “To Lose My Life” ou “Price Of Love” e se antes fechavam com o tema “Death” agora esse papel cabe a “Bigger Than Us”.

Antes, no palco Super Bock os Linda Martini tinham a “casa bem ocupada”. A banda começou com imensos problemas de som, e isso provocou um início hesitante, mas o público foi dando confiança à banda. Musicalmente parecem estar a atingir uma encruzilhada: optar por suavizar o som para um corpo mais pop (o público parece responder mais aos momentos líricos, simples, mas com pertinência) ou manter a agressividade mais consentânea com as influências e origens – a nós parece que é nos momentos em que opta pela segunda opção que a banda teria mais a ganhar, até para não desperdiçar o grande baterista que tem que, por exemplo, neste concerto esteve muitas vezes desacompanhado da banda. Não estiveram mal, mas já lhes vimos bastante melhor. Os Foals não impressionaram muito. Acabam por sofrer a pressão hype da indústria e essa fragilidade transparece um pouco, mas não se renderam e o seu alinhamento ainda fez destacar “Ballons” ou “French Open”que  sao a essencia sonora destes britanicos .

De volta ao palco principal, os Kaiser Chiefs dão um concerto de cor e salteado, foram o exemplo perfeito daquilo que a rodagem faz a uma banda. Surgiram a encher muito mais o palco e numa relação muito mais relaxada com o público – aliás Ricky veio mesmo a um bar refrescar a goela, pelo meio da surpresa de todos os presentes. Ouve-se “I predict A Riot, toda a gente canta “Ruby”… uma grande actuação. Curioso o facto de Andrew White usar um Marshall Bluesbreaker e depois mais tarde o mesmo combo estar no camarim de Dave Navarro, para o guitarrista fazer os seus aquecimentos. O que vai aquecendo também é o festival e os TV On The Radio arrancam com “Halfway Home” um dos melhores concertos da noite. O bem sucedido “Nine Types Of Light”, álbum AS do mês, é excelente, mas ao vivo sente-se um pouco a falta de David Sitek, pode ser saudosismo, artigo de opinião ou simplesmente constatar com pena uma ausência. O que era um tridente de luxo ficou apenas Tunde Adebimpe e Kyp Malone, não que não chegue, mas era melhor da outra maneira. Com certeza terão tempo de curar essas feridas e se entrosarem melhor. Ainda assim é um luxo a intensidade de temas como “Will Do” ou “Red Dress”, até ao incontornável “Wolf Like Me”. O concerto terá pecado pelo pouco tempo de set.

À parte de gostos, os Paramore deram um grande concerto e conseguiram mostrar qualidade além do delírio (algo que os 30 Seconds To Mars na noite anterior não foram capaz). Foi um grande concerto porque foi interacção atrás de interacção, porque deixaram milhares de sorrisos, especialmente nos fãs que subiram ao palco, mas sobretudo porque faz sentido dar mérito a quem o tem, e Hayley Williams é uma senhora cantora.

Esperava-se muito dos Jane’s Addiction e a banda esforçou-se por corresponder e por mostrar empenho em cativar na sua primeira presença no nosso país, principalmente através de Perry Ferrel. Há poucas bandas a poderem abrir um concerto com um tema como “Mountain Song”, com montanhas de qualidade e montanhas de espanto com as acompanhantes da banda – fica-se por decidir se espanto por estarem penduradas pela pele ao tecto do palco ou se pelos atributos aperfeiçoados por rigorosa dieta e bisturi. Não há direito de causarem dúvidas destas a um homem, e a banda concorda tocando “Ain’t No Right”. Segue-se “Had A Dad” e “Ted Just Admit It” e os grandes momentos da noite com as poderosíssimas “Just Because” e “End To The Lies”, Ferrel não acreditou na idade proclamada por um dos membros do público que lhe pedia vinho tinto. A partir daqui o concerto corria rapidamente para o final, com “Three Days”, “Been Caught Stealing”, “Whores”, “Ocean Size” e a icónica “Stop”. Muito curto, o público chamou a banda que ainda tinha algo a dizer com “Jane Says”. Podiam ter tocado mais qualquer coisita nova, foi um bom concerto, Perry Ferrel é um grande vocalista, Dave Navarro está em forma, mas ainda que a banda tenha surgido com uma grande produção em palco talvez o som pudesse estar mais alto.

Como em tudo há coisas positivas, a curta actuação dos Jane’s Addiction permitiu vir a correr ver o terrorismo sonoro dos Orelha Negra. Abriram mais uma alínea no debate de qual foi o melhor concerto de todo o festival, ao lado de Seasick Steve e Grinderman. Muita jam e exploração em cima dos temas “Since You’ve Been Gone”, “M.I.R.I.A.M”, os medleys “We’re Supafly” ou “I.N.E.S”, em que se escuta a inserção de Michael Jackson a Beastie Boys a Chemical Brothers. Um mundo de som, de groove, de um conjunto de músicos que tem realmente uma grande orelha! Para terminar, a voz de Ozzy a ouvir-se como “Cura” para o avançar da noite. O “Crazy Train” estava nas paragens finais e a AS já não foi capaz de prestar atenção ao set fraquinho de Duck Sauce.

Para o ano há mais.