Richie Campbell: O Reggae encontrou o R&B na Altice Arena

Richie Campbell: O Reggae encontrou o R&B na Altice Arena

2018-02-02, Altice Arena
António Maurício
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14 mil pessoas concentradas num concerto onde as novas capacidades de Richie Campbell foram postas à prova.

O logo da Bridgetown, comunidade/editora de Richie Campbell, estava bem visível no céu da Altice Arena, e foi em equipa que o ataque foi executado. A marca baseada em Cascais cresceu bastante desde o seu lançamento, e colocou um dos mais recentes artistas a abrir o espectáculo.

Mishlawi, o americano que aterrou em Portugal durante a sua juventude, fez as honras da casa com instrumentalização ao vivo que reforçou a sonoridade e aprimorou as versões de estúdio. Mas quando os refrões eram emprestados à boca do público a interação não foi a melhor. Afinal, Mishlawi é essencialmente novo neste campo, e não tem a rodagem do seu “capitão”.

A banda foi essencial para a sonoridade rica, completa e desenvolvida ao vivo

Richie, pelo contrário, já é um veterano em Portugal e estava a jogar em casa. Já marcou presença em inúmeros palcos e festas e entra em 2018 com uma versatilidade destacável. O alinhamento salta entre os emblemáticos temas energéticos com vertente reggae como “That’s How We Roll” ou a “Best Friend” até às novas faixas salpicadas por R&B como a “Midnight in Lisboa” ou a “Rio”. A The 911 band, constituída por três vozes de apoio, baterista, saxofonista, guitarrista, 2 teclistas, baixista e DJ (Dadda) ofereceu arranjos mais desenvolvidos e fechou as faixas com toques ensaiados mas ainda assim surpreendentes. O guitarrista e o baixista concorriam frequentemente por protagonismo em duelos que aqueciam o público e, apesar de ensaiado, não deixou de ser interessante. A interação com o público foi notória e genuína através de vários agradecimentos e momentos de pausa onde Richie se mostrava impressionado e grato com a multidão de 14mil pessoas, além disso, a motivação para o público dançar e saltar também esteve sempre presente. Seria de esperar um espectáculo focado no novo álbum/mixtape “Lisboa” (editado no dia 21 de Dezembro de 2017) mas o reportório foi inteligentemente elaborado de forma a incluir as faixas “clássicas” tal como as mais recentes durante as duas horas de concerto.

As participações dos convidados, tal como dos membros da Bridgetown foram um excelente triunfo e contribuíram para um bom ritmo. Slow J foi a entrada surpresa mais “barulhenta”, com o artista setubalense a declamar com segurança o seu verso em “Water” e a ganhar um jantar pago por Richie (apostou que público «passava na boa» as 13mil pessoas). Plutónio, não se rendeu ao pé partido e entrou em palco numa cadeira de rodas empurrada por Luís Franco Bastos para executar “Não Vales Nada” tal como a mais recente colaboração com Richie, “Eyes Open”. David Cruz, uma das vozes de apoio, normalmente guardado nas “traseiras”, também se chegou à frente para um momento de talento, cantando em conjunto com o capitão, e por último, a jovem Beatriz, aqueceu e intensificou o palco com os seus passos de dança. Tecnicamente, o nível de performance musical foi bastante elevado: A banda foi essencial para a sonoridade rica, completa e desenvolvida ao vivo (em comparação com o que ouvimos nas versões de estúdio) e a voz de Richie estava bem oleada e afinada num concerto que marcou o novo desafio R&B na vida do artista que não quer ser catalogado num género de música específico. Missão bem-sucedida, capitão.