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Riding Pânico, o Acorde Monumental

Riding Pânico, o Acorde Monumental

2016-11-05, Sabotage, Lisboa
Pedro Miranda
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Sem margem para dúvidas, o sexteto lisboeta deu uma performance magnífica  no comando do Sabotage.

Curioso notar como, em tão pouco tempo, Riding Pânico se impuseram tão vincadamente como nova banda de culto na cena do psych português. Albergam um estilo que, por mais diversificado que possa ser, assume-se também como marcadamente identitário, podem já ser creditados como simultâneos influenciadores e impulsionadores de uma recente vaga de talentosíssimas bandas, e atraem recorrentemente grandes públicos às suas insólitas performances pelo país. E Lisboa, claro está, não se fez excepção a esta regra, recebendo o espectáculo do sexteto de braços abertos e  num Sabotage tão preenchido quanto ansioso.

A dualidade silêncio/ruído foi gerida com notável perícia

Logo pela entrada dos músicos em palco percebeu-se que o concerto teria muito de especial, e não só pelo carácter intimista proporcionado pelo apertado recinto do Sabotage. Até porque as caras (e respectivos projectos paralelos), já conhecidas de quem costuma andar por estes círculos, davam a entender que muito de bom se concatenaria entre aquelas quatro paredes: desde o line-up habitual de Makoto Yagyu, Fábio Jevelim (PAUS), e João Nogueira (Filho da Mãe) até à aquisição muito bem-vinda de Miguel Abelaira (Quelle Dead Gazelle) à bateria. Com esta formação, som perfeitamente calibrado e ambiente festivo no ar, pouco mais se poderia pedir da noite.

De todas as características que brilharam na performance de Riding Pânico, a versatilidade ter-se-á, a par da emoção, destacado das restantes. Recorrendo sempre a timbres desafiantes e métricas pouco usuais, circulavam indiscriminadamente por entre as sonoridades do psych, do post-rock, do math, do stoner e do space rock, numa apresentação que, tanto técnica quanto performativamente, deixou pouco a desejar. A dualidade silêncio/ruído era gerida com notável perícia e, com um set-up que incluía o poderio acumulado de três guitarras, Riding Pânico não se acanhavam em puxar pela máxima agressividade quando as circunstâncias o exigiam – assim sucederam-se, um após o outro, os grandes momentos dos seus discos, entre os quais se destacam as impecavelmente executadas “Dance Hall”, “Zulu” e “E Se a Bela For o Monstro”. Em suma, em pouco mais de uma hora mostraram que, neste microcosmo em que se enquadram os grupos portugueses que se regem pelas inclinações mais vorazes e inebriantes do outro lado do Atlântico, dificilmente há quem se lhes compare.