The xx e Portugal, juntos para sempre

The xx e Portugal, juntos para sempre

2018-07-19, Altice Arena, Super Bock Super Rock
António Maurício
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A frequente presença dos The xx em Portugal continua a mexer com o público português através da contagiante sinergia em grupo, momentos íntimos e declarações genuínas.

O casamento entre os The xx e o público português já acumula uns sete concertos. Pelo meio realizaram o festival “Night + Day”, no Jardim da Torre de Belém, e passaram por muitas outras iniciativas portuguesas. Há uma ligação pessoal entre Portugal e a banda britânica que, ao vivo, se sente instintivamente.

O trio parte de um puzzle que é decomposto em várias peças. A voz de Romy Croft assume o destaque musical durante grande parte do concerto e guia com afinação as notas mais difíceis, de guitarra na mão. O baixo de Oliver Sim marca os ritmos mais contagiantes, mas a voz do próprio também consegue atingir projecções bem equilibradas. E as mãos de Jamie XX brincam (a sério) com a percussão através de samplers e mesas de DJ.

O visor gigante no meio do palco apresenta frequentemente os rostos em plano aproximado, ampliando o sentimento de proximidade e intimidade com o público. Não existem efeitos exagerados, nem ângulos alternativos para distrair a multidão, o foco é a música e o sentimento que transmite. Efectivamente, apresentam uma excelente sincronia em conjunto, mas existem momentos que destacam a experiência musical de cada um.

Na emocionante “Perfomance”, Romy assume o destaque vocal total e aumenta o clima íntimo que se sentia em toda a Altice Arena com uma balada simples, mas poderosa. E depois de “Infinity” e “VCR”, músicas retiradas do primeiro álbum de estúdio e que ainda não perderam o fôlego ao vivo, chega o momento de Oliver Sim se “chegar à frente”. “Fiction” é a prova de que a voz do baixista não deve ser menosprezada, com mais uma balada amorosa a aquecer o coração dos mais sensíveis. Em seguida, Jamie XX muda tranquilamente o clima e brilha a solo com minutos electrónicos que colocam os pés irrequietos. O seu momento é marcado por bpm mais acelerados e transições que conseguem enganar os mais atentos pela sua suavidade.

“Intro”, um dos maiores sucessos dos The xx, tanto a nível de popularidade como de qualidade instrumental, só encontrou o caminho até à setlist na penúltima descarga de energia. Tal como o nome indica, continua a fazer muito mais sentido na entrada do espectáculo e perdeu grandiosidade ao ser rematada tão tarde. “Angels” fechou um concerto rigoroso e bem estudado de quem já conhece o público português: os normais agradecimentos e conversas entre as músicas não soam forçados nem de praxe. Apesar dos vários encontros, a magia inicial ainda não desapareceu.

SETLIST

  • Dangerous
    Islands
    Say Something Loving
    Crystalised
    Sunset
    I Dare You
    Performance
    Infinity
    VCR
    Fiction
    Shelter (Remix, Jamie XX)
    Loud Places (Cover, Jamie XX)
    On Hold (Remix, Jamie XX)
    On Hold
    Intro
    Angels