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War On Drugs, A Leveza da Melodia

24/08/2015
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Pelos detalhes de som e arranjos dos War On Drugs, pelo facto de, agora com condições de headliner, se ter feito acompanhar de mais guitarras, Adam Granduciel pode parecer um indivíduo meticuloso, mas é realmente um nefelibata.

Em Coura, com mais tempo para se expressar que há um ano atrás, no Alive, a banda usou mais exploração para preencher o espaço de canções simples e para fazer surgir, na soma de camadas à estrutura, a densidade do seu som. E, com o que de bom e mau houve no concerto, é preciso ser grato ao VPC – só neste festival os War On Drugs seriam headliners, para já, e teriam tal devoção do público. Sendo simplista, o concerto do ano passado foi melhor, por ter sido mais directo e por ter apanhado a banda no “momento”. Este foi mais completo.

Amanhã, a banda vai para uma major label (Warner) e Granduciel tornará a enfrentar os “horrores” da pressão mediática que, no passado, o conduziram a uma depressão. Mas para já, “Lost In The Dream” pode limitar-se a ser um excelente disco apanhado pelo vórtice geracional de estética musical para os nascidos no final dos anos 70, início dos 80. Da mesma forma que possui o sentido de risco de coisas que, antes de ser cool ser indie, já eram indie, como Sonic Youth ou Dinosaur Jr., acolhe também um sentido melódico de guitar hero ou a força emocional de quem ouve Dylan ou Springsteen. O som, algo “enrolado” (a voz a ficar diluída muitas vezes, pouca definição instrumental), e a aparente fadiga de uma banda que está na estrada com o disco há, sensivelmente, dois anos terão sido os pecados maiores.

A exploração referida permitiu um desenvolvimento mais progressivo aos temas e também maior sentimento nos músicos, mas acrescentou alguma desconcentração a Granduciel, que debitou alguns “pregos”. Mero pormenor, pois as melodias etéreas de War On Drugs sobrepõem-se com leveza a “acidentes” de escala. É a viagem que conta, não a perfeição do veículo. Permanece fascinante aquela forma discreta de Charlie Hall fazer soar o seu drumkit. Sempre suave e embalador, sem excessos propulsivos nem descontrolo dinâmico. Os momentos altos, sem qualquer tipo de snobismo para com o fenomenal “Lost In The Dream”, foram “Baby Missiles” e “Your Love Is Calling Me”, do tempo em que Granduciel fazia parceria com Kurt Ville.

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