War On Drugs, A Leveza da Melodia

War On Drugs, A Leveza da Melodia

2015-08-21, Paredes de Coura
Nero
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Pelos detalhes de som e arranjos dos War On Drugs, pelo facto de, agora com condições de headliner, se ter feito acompanhar de mais guitarras, Adam Granduciel pode parecer um indivíduo meticuloso, mas é realmente um nefelibata.

Em Coura, com mais tempo para se expressar que há um ano atrás, no Alive, a banda usou mais exploração para preencher o espaço de canções simples e para fazer surgir, na soma de camadas à estrutura, a densidade do seu som. E, com o que de bom e mau houve no concerto, é preciso ser grato ao VPC – só neste festival os War On Drugs seriam headliners, para já, e teriam tal devoção do público. Sendo simplista, o concerto do ano passado foi melhor, por ter sido mais directo e por ter apanhado a banda no “momento”. Este foi mais completo.

Amanhã, a banda vai para uma major label (Warner) e Granduciel tornará a enfrentar os “horrores” da pressão mediática que, no passado, o conduziram a uma depressão. Mas para já, “Lost In The Dream” pode limitar-se a ser um excelente disco apanhado pelo vórtice geracional de estética musical para os nascidos no final dos anos 70, início dos 80. Da mesma forma que possui o sentido de risco de coisas que, antes de ser cool ser indie, já eram indie, como Sonic Youth ou Dinosaur Jr., acolhe também um sentido melódico de guitar hero ou a força emocional de quem ouve Dylan ou Springsteen. O som, algo “enrolado” (a voz a ficar diluída muitas vezes, pouca definição instrumental), e a aparente fadiga de uma banda que está na estrada com o disco há, sensivelmente, dois anos terão sido os pecados maiores.

A exploração referida permitiu um desenvolvimento mais progressivo aos temas e também maior sentimento nos músicos, mas acrescentou alguma desconcentração a Granduciel, que debitou alguns “pregos”. Mero pormenor, pois as melodias etéreas de War On Drugs sobrepõem-se com leveza a “acidentes” de escala. É a viagem que conta, não a perfeição do veículo. Permanece fascinante aquela forma discreta de Charlie Hall fazer soar o seu drumkit. Sempre suave e embalador, sem excessos propulsivos nem descontrolo dinâmico. Os momentos altos, sem qualquer tipo de snobismo para com o fenomenal “Lost In The Dream”, foram “Baby Missiles” e “Your Love Is Calling Me”, do tempo em que Granduciel fazia parceria com Kurt Ville.

SETLIST

  • Arms Like Boulders
    Baby Missiles
    An Ocean in Between the Waves
    Disappearing
    Red Eyes
    Eyes to the Wind
    Under the Pressure
    In Reverse
    Burning
    Comin’ Through
    Your Love Is Calling My Name