25 anos de Young Gods [PT.III]

25 anos de Young Gods [PT.III]

Nero

Na última parte da conversa, Franz Treichler diz-nos que o rock é, algumas vezes, demasiado conservador; conta-nos o que está a ouvir actualmente e como os Young Gods influenciaram David Bowie.

Os The Young Gods continuam a celebrar os 25 anos do lançamento do seu primeiro disco (1987) e, depois de uma primeira digressão em 2012, a banda decidiu aumentar as celebrações em mais algumas datas que vão passar por Lisboa e Porto dias 6 e 7 de Dezembro, na TMN ao Vivo e no Hard Club, respectivamente. Franz Treichler conversou connosco sobre os concertos, uma carreira de 25 anos e o momento actual da banda.

Mantém-se algum preconceito no universo do rock em relação à “maquinaria”, mas imagino que quando surgiram, no auge do hard rock e dos shredders, isso fosse mais grave…
O problema da música rock é, algumas vezes, ser demasiado conservadora, ideias como “não podes fazer rock n’ roll sem guitarras ou com uma drum machine”. Não podes fazer isto ou aquilo… Não devia tratar-se disso, música é música e o rock n’ roll é, basicamente, focado na energia e na atitude. Recordo-me da primeira vez que fomos aos Estados Unidos, vinham muitos fãs de metal ver-nos, pois as nossas canções eram inspiradas em artistas de metal, e ficavam extremamente desapontados por não haver guitarras… Não se podia não ter guitarra, era estar a mudar a rotina de como as coisas eram feitas. Alguns deles saíam. Quando regressámos, dois anos depois (por volta de 1991), as coisas começaram a mudar e muitas bandas de metal tinham samples. Tinham guitarras, mas também samples. Pouco a pouco isso foi sendo aceite pela “comunidade”.

Mencionavas alguma da tua inspiração. E hoje em dia o que te inspira ou o que ouves?
Não me costumo focar num só artista, mas sou bastante curioso com o que se vai fazendo – tanto quanto posso acompanhar. Ando muito apanhado pelos The Knife, gosto bastante deste último álbum, “Shaking the Habitual”. Também acho Savages muito bom e comprei o último álbum de Nine Inch Nails, o qual tenho ouvido muito ultimamente. Ouço muito tipo de coisas, tenho ouvido muito o “Tomorrow’s Harvest”, dos Boards Of Canada, ou Vista Chino e esse tipo de coisas. Não tenho um género de eleição. Ando mesmo muito colado nesta banda tuareg do deserto do Sahara, os Tamikrest – aqueles cantos tradicionais com um toque de Rolling Stones…

No plano inverso, quando o David Bowie lançou o “Outside”, questionavam-no sobre se estaria a ouvir Nine Inch Nails. A resposta dele foi que o que estava realmente a ouvir era Young Gods, que eram muito bons. Isso tem que ser a cena, receber um elogio desses do Bowie?
Sim, completamente. Alguém me fotocopiou essa entrevista, na qual ele dizia: “fui influenciado por esta banda obscura da Suíça, os Young Gods. Eles usam loops em repetição e descobrem melodias por cima” [risos]. Foi excelente, é extraordinário quando alguém como o Bowie presta respeito a alguém como uma “obscura” banda suíça [risos]. Acho que a música é como um jardim, colocas algumas sementes no solo, algumas crescem e outras não. Nem sempre depende de ti, apenas fazes o que tens que fazer e passas isso às pessoas.