FESTIVAL OPTIMUS ALIVE’11 [06.07]

Nero

Fotos Pedro Almeida 

A AS foi recebida já com o som dos The Naked And Famous, cuja solidez ecoava durante os ajustamentos práticos à entrada no recinto e “legalização” da máquina jornalística. Essa solidez não se repercutiu na abertura do palco principal com os The Twilight Singers – a banda de Greg Dulli iniciou muito prejudicada por um péssimo som, que apenas ficou equilibrado nos dois últimos temas – deduz-se que em palco também não estaria a 100% pois faltou muita coesão à banda, que por vezes se “desencontrava” nos tempos dos temas. Redimiram-se no final, com riffs “pink floydianos” cuja parte 1 do tríptico “Another Brick In The Wall” se fundiu mesmo com um dos temas da banda. Com vocalizos que  faziam pensar em Young Gods (pasme-se) dentro de uma dinâmica aproximada aos The Verve, a banda acabou por reflectir o que seria este primeiro dia em que a inconstância foi um dos motes para a generalidade das actuações.

Enquanto se fazia tempo para James Blake no palco Super Bock, os Group Love não foram capazes de mostrar estatuto para tocar num palco cuja assistência, às 19h10, já aguardava pelos Coldplay. O próprio James Blake mostrou-se ao vivo a milhas daquilo que é o seu trabalho em estúdio  –  falta muita rodagem aos temas e ao trio em palco. Enquanto isso os Blondie pouco mais foram que o reviver de alguns clássicos dos 80’s como “Heart Of Glass” ou “One Way Or Another”, é uma banda completamente datada e cujos tempos áureos vão longe, um concerto em estilo Coyote Bar…

Nesta altura o palco Super Bock começou a assumir-se como o redentor deste primeiro dia de Alive, através da força e qualidade de som de Anna Calvi e These New Puritans, que lutaram com uma plateia com um aspecto desolador, sempre com uma atitude de louvar, tal como o grande destaque de hoje no palco Optimus Clubbing – os portugueses Feromona. Contudo, as atenções estavam centradas nos Coldplay, que iniciaram em grande estilo o seu set, mas que também acabou por ir esmorecendo por duas razões: estilo e público. Ficaram dúvidas de que a banda se enquadre propriamente dentro dum estilo “mega concerto” e, ainda que se tenham empenhado em agarrar o público, falta mesmo alguma profundidade a muitos dos temas, para ressoarem da primeira fila até ao extremo mais distante da enorme assistência que esteve neste primeiro dia para vê-los. É certo que temas como “Fix You”, ou “Viva La Vida” são capazes disso, mas depois sucede o segundo problema – um público que, considerado além dos fiéis que se apresentavam nas primeiras vagas em frente ao palco, se apresentou com um conhecimento epidérmico e apenas reagiu a esses alarmes emocionais. De qualquer forma, a diferença de “caparro” dos headliners para as outras bandas que subiram a este palco foi demasiado evidente.

Nestas inconstâncias, o palco Super Bock foi o grande centro qualitativo deste primeiro dia, com o zénite na actuação de Patrick Wolf [que a AS entrevistou]. Além do melhor som deste primeiro dia de festival, a banda apresentou-se numa interacção perfeita, com respeito às dinâmicas dos temas e de cada um dos instrumentos – que eram tão variados como harpa, violino ou saxofone – num aglomerado neo-folk e por vezes a roçar a emotividade galopante de um nome como Bruce Springsteen, principalmente num tema como “This City”, sim é um single pop bem orelhudo, mas que é somente o cartão de visita dum artista multi-facetado e com uma enorme maturidade. Foi um concerto que, até considerando o que tínhamos visto até aqui, soube manifestamente a pouco.

Felizmente, seguiu-se também a grande surpresa da noite – os Example. Sinceramente, tanta influência estilística poderia ter dado uma grande confusão, mas é perfeita nesta banda a fusão de um hip hop dentro da atmosfera dos subúrbios londrinos com toques de electro bem Daft Punk, até ao house live band dos Faithless à agressividade dos Prodigy e até ao power synth pop a roçar uns Depeche Mode. Uma actuação a roçar o perfeito, que deixa apenas uma suspeita – com a força que provinha dos backups “samplados” das estruturas mais electrónicas ouvia-se pouco aquilo que guitarra, baixo e bateria acrescentavam à estrutura. De resto, um set longo a mostrar a versatilidade e “agilidade” criativa de uma banda que teve uma grande resposta do público que parecia estar agora a receber as emoções fortes que procurou no festival.

Em jeito de resumo: valeu a noite para ver, ou rever, os sucessos de uma banda incontornável no meio pop, que são os Coldplay, de sacar um chapéu de palha oferecido pela organização, de participar num evento cada vez maior e com recordes de assistência, mas, por aqui, o que fica mesmo na memória foi um Patrick Wolf aguerrido, eficaz e competente…Hoje há mais e a AS vai estar no Optimus Alive para trazer os seus destaques, o resto… é barulho!