Foals

Foals

2013-10-29, Coliseu dos Recreios, Lisboa
Nero
7

Os FOALS não deram um mau concerto, mas… Para uma banda que tem recolhido louvores às suas apresentações ao vivo, o concerto do Coliseu não foi uma “cena” na sua totalidade. Horas antes, YANNIS PHILIPPAKIS dizia-nos que muitos desses louvores derivam de uma postura de “risco” assumida pela banda, que se recusa a utilizar “samplagem” e tem a necessidade de relacionar-se com cada elemento sonoro que está em palco – isso acrescenta uma certa aleatoriedade aos momentos de cada actuação, pois lida com múltiplas variáveis.

Ontem a noite não correu bem ao baterista JACK BEVAN, que teve algumas oscilações de cadência rítmica e dinâmica (essencialmente aqui, em que demonstrou algum défice físico que se traduziu, em muitos momentos, na perda de força na “pancada”). Isso fez com que, principalmente nos momentos de jam, nas alturas em que a banda procurou expandir e arriscar os temas além do formato de estúdio, a exploração tenha sido pouco aventureira. Ainda assim, foi um concerto de reciprocidade emocional – com o público presente mais familiarizado com as faces do último álbum, “My Number” e “Inhaler”, a banda respondeu com mais velocidade de execução. Principalmente em “Inhaler”, o aumento de beats per minute retira algum groove e densidade aos temas, mas em “Two Steps, Twice” (que fechou o concerto) funciona bastante bem.

“Holy Fire” foi o centro desta passagem por Lisboa. O instrumental de abertura do disco, “Prelude”, cumpriu a mesma função no Coliseu; “My Number” seguiu-se à visita aos dois primeiros álbuns, através de “Total Life Forever” e “Olympic Airways”; “Providence”, “Late Night” e “Milk & Black Spiders”, precedidas por “Blue Blood”, foram o bloco que antecedeu a saída para encore com “Spanish Sahara” e “Red Socks Pugie”. Depois houve aplausos, “Inhaler” e Two Steps, Twice”, tudo pareceu demasiado rápido…

Para a memória: um dos momentos altos foram “Blue Blood”, em que a parelha de guitarras de JIMMY SMITH, a empunhar dois modelos Jazzmaster, e PHILIPPAKIS, com os imponentes modelos Travis Bean, foram capazes de expandir os temas para lá das limitações físicas de uma sala e deram um fundo incorpóreo ao palco. Os outros foram o peso que “Providence” ganhou ao vivo, com graves arrasadores de WALTER GERVERS (pudera… com um Fender Super Bassman 100 e um Sunn 300T), e o sublime crescendo emocional da serena violência de “Late Night”.

FOTO: Miguel Mestre