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Kalú

Comunicação

Universal Music, 2013-01-29

EM LOOP
  • Corda Na Garganta
  • Demagogia
Nero

Temas directos, bons refrões, guitarras simples e com força. “Comunicação” foi o álbum que tornou a colocar Kalú a lutar no underground do rock luso.

«Baixo as armas, tiro o escudo e o mundo», a letra é do Vasco Ferreira, filho do “meio” de Kalú e usamo-la como perfeita ilustração da vontade que comanda o baterista dos Xutos & Pontapés a descer do pedestal que atingiu meritoriamente com a maior banda portuguesa de rock para lutar pelo seu som como um puto de 20 anos, como se estivesse a começar tudo de novo. É o próprio quem nos diz que em vez de puxar dos galões, a ideia é o underground, a proximidade, a comunicação directa.

A estreia a solo de Kalú possui a característica principal de uma boa comunicação, a honestidade. A primeira prova dessa honestidade é o respeito que Kalú demonstra para si próprio: não procura propositadamente, nem tenta sequer, afastar-se duma sonoridade Xutos & Pontapés. Assim também não defrauda o ouvinte, nem o procura enganar. Temas directos, bons refrões, guitarras simples e com força. É aí que também tem a honestidade de acrescentar mais o seu cunho – as guitarras são mais agressivas em comparação com o som de Xutos.

“Comunicação”, em momentos como “Corda na Garganta”, “Pela Noite Dentro” ou “Calor”, tem rock directo como esperado de Kalú, em temas como “Demagogia” ou “Eu Não te Quero” tem experimentação de sonoridades exteriores ao rock, com sampling e exploração instrumental em jeito crossover. Há ainda sempre um cheirinho a blues, ou na harmónica em que Kalú se “chega à frente” ou temas como “P’ra Quê Viver Assim” ou “Lua”.

Quanto à grande questão: Kalú canta? Ninguém esperava que o baterista surgisse com um vozeirão à Robert Plant, mas segura bem os temas ainda que num ou noutro momento do disco se possa notar algum desconforto ou talvez alguma falta de fluidez.

No final, “Comunicação” talvez pudesse ter sido um EP. Seria mais consistente e a partir daí a rodagem da estrada traria maior balanço a um futuro LP, algo que vendo actuações recentes se percebe que irá acontecer.