Gibson Perde Patente Firebird no Tribunal Geral da União Europeia

Gibson Perde Patente Firebird no Tribunal Geral da União Europeia

Nero

A Gibson vê revogada mais uma patente na UE, uma vez mais após acção interposta pela Warwick e Framus. A decisão penaliza o facto de a Gibson ter esperado 50 anos para criar a patente e diz que, além dos guitarristas, ninguém indentifica diferenças substanciais nos formatos das guitarras.

Em Junho de 2019, a Gibson deu um daqueles passos impossíveis de voltar atrás. A marca, apresentando Mark Agnesi como o novo Director Of Brand Experience, deixava algumas ameaças veladas a outros fabricantes, em relação a infracções de copyright. Poucos dias depois, a Gibson decidia-se mesmo por processar a Dean Guitars e abrir uma guerra sem fim…

A imagem da marca saiu debilitada junto da vox populi. Depois, o surgimento de um infame vídeo, no qual se via uma fornada inteira de guitarras ser pulverizada por uma caterpillar, não ajudou nada. Mas também nos tribunais a Gibson tem enfrentado dificultades. Ainda em Junho, com a polémica das patentes no auge, a marca perdeu na Europa a patente da Flying V. No Tribunal Geral da União Europeia a gigante marca norte-americana tinha um processo a decorrer desde 2010, tendo aplicado o design Flying V para patente no European Union Intellectual Property Office (EUIPO). Esse registo de patente havia sido inicialmente aceite. Mas em 2014, Hans-Peter Wilfer, owner da Warwick e Framus, disputou essa resolução e a patente acabou revogada.

Agora, foi a vez de a Gibson perder a patente da Firebird na Europa. A decisão partiu da Cancellation Division da EUIPO e foi tomada no passado dia 11 de Outubro de 2019. De acordo com o Guitar.com, o EUIPO afirma que o formato de corpo Firebird não é considerado «significativamente diferente do estilo normal nas guitarras eléctricas».

O EUIPO refere que ainda que os guitarristas possam identificar os diferentes formatos, é mais relevante perceber se alguém que não seja guitarrista consegue, não considerando ser este o caso com a Firebird. Além disso, a decisão também refere que teve relevância o facto de a Gibson apenas se ter decidido por criar a protecção de patente em 2011, quase 50 anos após a criação da Firebird. Tal como no caso da Flying V, esta reavaliação partiu de uma acção de Hans-Peter Wilfer. A decisão diz respeito apenas ao território da União Europeia. Não estando abrangido o resto do mundo e possivelmente o Reino Unido, quando suceder o Brexit.

Numa entrevista recente à AS, sobre toda esta situação despoletada pela Gibson, o luthier nacional Adriano Sérgio referiu precisamente as dificuldades que a Gibson iria encontrar judicialmente para lá dos tribunais norte-americanos. Podes ler essa exclusiva entrevista AQUI.