Joe Bonamassa, As Jóias da Coroa

Joe Bonamassa, As Jóias da Coroa

Nero

Joe Bonamassa revelou as preciosidades favoritas da sua colecção. Uma sumptuosa lista de Fender dos anos 50 e Gibson raríssimas.

É um dos guitarristas mais aclamados no Universo e recorrentemente são criados instrumentos com a sua assinatura. Entre os casos mais recentes estão, por exemplo, as Epiphone ES-355 e Treasure Firebird.

Todavia, sem menosprezar esses modelos, a única coisa que se aproxima da majestade épica do blues/rock de Joe Bonamassa será a sua colecção de instrumentos musicais, de autênticas e luxuosas raridades de guitarras eléctricas e amplificadores. Há uns tempos atrás, Joe Bonamassa apresentou algumas das suas peças favoritas na sua imensa colecção, de entre as unidades que, semanalmente, revela no seu website.

O próprio guitarrista elegeu (com a MusicRadar) várias peças, e explicou individualmente o que as torna atractivas, tão raras ou tão especiais para si.

1950 Fender Broadcaster (s/n 0280) // «Antes da Telecaster e Nocaster havia a Broadcaster. Estas guitarras possuem algumas características interessantes, como a ausência de via de canal ou um potenciómetro de blend em vez de tone. O blend desapareceu por volta de 1952. Além disso, a cabeça dos parafusos é sempre achatada, até no truss rod! Este modelo é uma das mais leves guitarras Broadcaster que já toquei. Tenho sorte em tê-la e é uma das minhas estimadas guitarras Fender na colecção.»

1956 Fender Stratocaster Blonde (s/n 12739) // «Corpo em ash, componentes Bakelite e o melhor braço que alguma vez encontrei numa Stratocaster de 1956. Encontrei esta guitarra há alguns anos atrás, em Nashville. Estava a ser vendida a um preço substancialmente reduzido, após ter chegado a valer uns 100.000 dólares uns anos antes. Está acompanhada do recibo original e de fotografias do seu primeiro dono. Pode ser ouvida na minha canção “I Gave Up Everything for You, ‘Cept The Blues”»

1955

1955 Fender Stratocaster Howard Reed Black (s/n 10041) // «Em puto tinha posters desta guitarra na minha parede. Surgiu na Guitar World’s Collector’s Choice, em Abril de ’88. Tem surgido em muitos livros e é amplamente reconhecida como uma das primeiras, senão mesmo a primeira, Stratocaster pretas construídas. Comprei-a a Bill Blackburn, por intermédio do George Gruhn, em 2014. Custa acreditar que agora a tenho a casa. É uma peça fantástica da história da Fender e do rock ‘n’ roll, do tempo do Howard como um dos Blue Caps de Gene Vincent, e tendo passado já 15 anops no Rock And Roll Hall Of Fame em Cleveland, Ohio»

1952 Fender Telecaster, ex Terry Reid (s/n 2581) // «O Terry é meu amigo e, na minha opinião, uma lenda do rock. Foi responsável por algum do melhor folk rock tingido de country nos anos 60 e 70. O Terry comprou esta guitarra em 1968, quando abriu para os Cream no final da sua digressão em Chicago. Quando chegaram ao Madison Square Garden, o Terry já instalara um pickup de patente Gibson. Permaneceu sem alterações de maior até hoje. Tem características bastante primitivas e é mortífera. Tenho-a há cerca de um ano»

1960 Fender Telecaster: a Steve Cropper-caster (s/n 45935) // «Também podia chamar-lhe Page-caster, mas eu queria uma por causa de Steve Cropper. Sinceramente, não vão encontrar nenhuma mais limpa. Está como nova e, sem dúvidas, à beira de se tornar intocável por isso. Quem diabo sou eu para destruir artefactos da história da Fender? Mal a ligo e esqueço-me dessas tretas rapidamente».

1963 Fender Stratocaster Blonde (s/n L14080) // «Possuo cinco Blonde Stratocasters: uma de ’56, duas de ’57 e duas de ’63. Esta guitarra é, de longe, a melhor delas, senão mesmo a melhor Stratocaster de rosewood que tenho. Comprei-a dois dias após ter descoberto a minha outra ’63 Blonde! Foi pura coincidência o dono original estar a vendê-la para ajudar o seu filho na entrada da sua casa. É o tipo de guitarra em que não precisas de ajustar minimamente um único parafuso. Nunca foi desmontada e é assim que irá permanecer… Quem se importa com a data do braço, afinal?»

1966 Fender Telecaster Tuxedo (s/n 204596) // «Smoking invertido, tal como o meu pai costumava usar no final dos anos 70, em casamentos e, talvez, até no seu próprio casamento. Acabamento Olympic Whit com binding preto – apenas havia visto esta guitarra em livros. Comprei-a ao meu amigo Norman Harris, da Norm’s Rare Guitars. Tele com equilíbrio sonoro perfeito dos anos 60 e quase nova… Esta fica sempre em casa».

1966 Fender Jazzmaster Sea Foam Green (s/n 238194) // «Andei cerca de cinco anos a tentar comprar esta guitarra, mais outras duas. Finalmente consegui fazer um negócio e possuir uma das cores personalizadas mais raras em toda a Fender. Esta guitarra está impecável e é um instrumento fantástico; juntem-lhe o factor Sea Foam e torna-se uma das “surf guitars” mais caras que existem».

1951 Fender Nocaster c/ PAF (s/n 1755) // «O meu amigo Keith Nelson quer esta guitarra e se não a tivesse observado com maior atenção seria dele. É a minha guitarra “para estúdio”, a minha Tele de referência, por assim dizer. Nos anos 70 foi alterada para ligar um humbucker PAF, provavelmente oriundo duma SG ou Les Paul Custom de 61. Uiva de todas as formas certas e, francamente, já tem ofuscado as minhas Les Paul ’59. É uma guitarra para a vida, para tocar e estimar».

1963 Fender Stratocaster Sunburst (s/n L01310) // «A minha velha guitarra da adolescência. Comprei-a em 1993 na feira de guitarra de Filadélfia, no Outono, por 4.200 dólares. A pronto. Estava impecável, era um puto e não quis saber de mais nada. Estava folgado, com o avanço da editora (para o álbum de Bloodline,) e destemido. Cinco anos mais tarde, estava falido e reduzido a umas poucas guitarras, mas por alguma razão mantive esta. Mesmo em 2006, quando o mercado explodiu e valia 30.000 dólares, mantive-a. Também estava sem cheta nessa altura. Mantive-a sempre e aparece na maioria dos meus 15 álbuns. Quer dizer alguma coisa sobre a velha fidelidade.»

1960 Fender Esquire Custom (s/n 49887) // «Uma das melhores Fender que tenho. Deve-se à simplicidade. Faz uma coisa e fá-la muito bem. Toco-a quando preciso lembrar-me da metodologia keep-it-simple.»

1958 Gibson Flying V, “Amos” (s/n 8-2857) // «Enviada a 29 de Maio de 1958 para a loja de música de Amos Arthur, em Indianápolis. Há imensas fotos do Amos a posar com a guitarra, em 1958. Um modelo super raro com pickguard preto e o jackplate branco. Comprei esta guitarra ao Norman, que a guardara durante mais de 40 anos. Vou levá-la para mais um ciclo de concertos e gravações. Agradeço ao Norm ter-me confiado a recuperação desta guitarra. Provavelmente, é a guitarra historicamente mais importante que tenho. No universo da korina, a proveniência faz a diferença. Esta guitarra era capaz de encher um cargueiro. É um instrumento verdadeiramente espectacular que tenho orgulho em possuir.»

1959 Gibson Les Paul Standard, “Principal Skinner” (s/n 9-1951) // «Durante muito tempo foi a guitarra que levaria para uma ilha deserta, até que surgiu a “Snakebite” para lhe roubar o lugar. Isso não retira uma única letra a quão espantosa é esta guitarra. Uso diariamente esta guitarra e tenho-a em todas as sessões e gravações.»

1959 Gibson Les Paul Standard, “Carmelita” (s/n 9-1953) // «Foi difícil comprar esta guitarra. Veio de um tipo que estava saturado do negócio de guitarras vintage, por comprar nos picos de mercado e ter vendido a maior parte da sua colecção por baixo. Esta guitarra era suposto redimir tudo. infelizmente, o mercado apenas aguenta os picos durante certo tempo, reajustando-se para preços mais justos.A Carmelita passou muitos anos no Havai e com o meu amigo Tom Wittrock em Springfiel, Missouri, antes de ser vendida ao cavalheiro a quem a comprei. O que importa saber sobre a guitarra é que soa muito bem e é muito flamejante. É o burst mais flamejante que possuo. Outras soam melhor? Sim. Mas possuem aquele tampo que se parece com as garras de um tigre? Não… Já agora, o nome anterior da guitarra era “The Claw”…»

1960 Gibson Les Paul Standard, “The Runt” (s/n 0-7453) // «Comprei esta guitarra na Alemanha, na Guitar Point, ao Detlef, que é uma das pessoas mais honestas e dignas de confiança do planeta. Seria capaz de te dar a roupa que tem vestida. Quando o conheci, ele trouxe três ‘bursts consigo e despediu-se levando de volta as duas que, se lhe perguntarem, menos esperaria. Esta “60” foi responsável por más colheitas na América. Houve gente a fazer fila para lucrar com elas e foram depenadas. O Detlef chegou-se à frente e tentaram denegri-lo e à guitarra. Mal podiam imaginar que esta 1960 Les Paul específica é uma das guitarras com melhor som que possuo. Originalmente comprada na África do Sul, onde permaneceu até 2010, é verdadeiramente menosprezada e das quatro 1960 Les Paul Standard que possuo esta está entre as minhas favoritas.»

1960 Gibson Les Paul Standard, “Blackburst” (s/n 0-0162) // «Provavelmente, a guitarra mais valiosa que possuo. Uma 1960 Standard em preto de fábrica que foi encomendada em vez de uma Les Paul Custom mais cara. Sob a pintura preta jaz um tampo sunburst super flamejante. É única e não me vou alongar sobre o seu passado que pode ser encontrado por toda a internet. Tenho o recbido e o plano de pagamento datado de Janeiro de 1960. Vê-la em pessoa é marcante! Não tenho qualquer receio de guitarras, excepto desta.»

1959 Gibson ES-345 Blonde (s/n A32732) // «Estas guitarras têm uma procura enorme que não consigo entender. É uma guitarra de acabamento natural. A Gibson cobrava mais pelo acabamento natural e as pessoas pagam bastante mais por esse tipo de acabamento… Não entendo. Este é um exemplar super limpo que faz todos os meus amigo “orelhudos” ficarem com as pernas trémulas.»

1961 Gibson ES-335 (s/n 10069) // «A base para o meu modelo de assinatura, está é uma guitarra que comprei num meet & greet em 2011. Desde aí que sou amigo dessas pessoas e usei esta guitarra em muitos dos meus discos e digressões, incluindo o DVD “Muddy Wolf [At Red Rocks]”. É uma guitarra muito especial para mim.»

1954 Gibson Les Paul Standard Goldtop (s/n 4-1728) // «Um gigante adormecido no mundo Les Paul. Muita gente olha para as guitarras Les Paul com P-90 e ponte wraptail e pensa o quão boa conversão poderia resultar daí. Incluo esta guitarra na lista como chamada de atenção para o fenómeno recente de “escavar” boas guitarras. Conversões não se tornam em guitarras Les Paul de ’59, nem nunca se tornarão, independentemente do que vos diga um luthier. Toquei com esta guitarra na digressão “Three Kings” e arrasou a minha ‘burst… Para que saibam! P-90s são a cena!»

1962 Gibson SG Special (s/n 44208) // «Comprada numa loja de penhores em Fort Wayne, Indiana. Arrasadora em todos os aspectos. Não sou nada fã das SG Standard! Não me soam bem e são muito desequilibradas. Tentei repetidamente encontrar uma boa, mas acabei por vendê-las todas à excepção desta! Tem um equilíbrio perfeito e um som bastante intenso.»

1952 ES-5N (s/n A-9708) // «Tenho três guitarras ES-5, esta é a melhor. Essencialmente é um corpo ES-350 espesso com o P-90 extra, mas é das primeiras guitarras do BB King, que queria ser o T-Bone Walker. Todos queremos ser como alguém. Até o Rei do Blues, que descanse em paz, tinha heróis…»

1957 Gibson ES-350 (s/n A26570) // «O Chuck Berry é um dos meus heróis. Sempre foi e sempre será. Para lá de todos os disparates e todas as manhas, ele é o raio do Chuck Berry… Foi por isso que quis esta guitarra.»

1952 Gibson Les Paul Standard // Sem número de série, do primeiro ano de fabrico. «Uma guitarra muito longe de ser perfeita, mas é aquela que iniciou a revolução e anunciou o que estava para chegar.»

1953 Les Paul Custom // Sem número de série, do primeiro ano de fabrico. «Uma vez mais, uma guitarra longe da perfeição, mas que se tornou um instrumento revolucionário. Continuo a preferir a Custom de três pickups de Jimmy Page em relação à ‘burst.»

1958 EDS-1275, “Electric Double Spanish” (s/n 8-6725)// «Esta raríssima sunburst double-neck de tampo em spruce é uma das únicas duas construídas assim no ano de 1958. Estas guitarras foram um pedido especial à Gibson. Os lojistas não queriam ter em armazém um artigo tão específico, nem ter algo tão caro na loja à espera que alguém de passagem se lembrasse de entrar e comprar uma guitarra de dois braços. Tem um som fantástico e, francamente, a Gibson devia ter aprofundado o conceito hollowbody em spruce, porque essas são algumas das melhores guitarras dessa época. Quatro PAF e três conjuntos de afinadores que servem uma ‘burst de ’58-’60 são alvos prioritários para bandidos que falsificam, convertem ou mentem sobre guitarras, criminosos dentro da comunidade de guitarras vintage. Mas esta está segura comigo.»

1969 Grammar Johnny Cash (s/n 5411)// «Uma guitarra acústica super rara e com um excelente som. Provavelmente a guitarra mais rara que possuo. Aliás, tenho um par delas, portanto, duas das guitarras mais raras que possuo.»

1968 National Bobbie Thomas (s/n 2-37128)// «Comprada directamente ao Deke Dickerson – é apenas um modelo excêntrico de assinatura e baixo custo de produção, da National de Chicago, para um guitar hero local… Procurem-no!»

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1959 Fender High Power Twin// «O amplificador tweed mais limpo que alguma vez vi. Tenho alguns amps tweed bastante limpos, mas este deixa-os a milhas. Ser a capa do livro “Soul Of Tone”, do Tom Wheeler, é o melhor exemplo de se tratar do melhor amp Fender que existe.»

1957 Fender Bandmaster// «Tem três 10” e berra que se farta. É mais limpo no som e na carácter que a maioria, mas com uma Gretsch Country Gentleman consegue fazer soar “Won’t Get Fooled Again”.»

1963 Fender Vibroverb// «Tenho dois Vibroverbs castanhos originais, mas este é o que soa melhor. Imaginem um excelente amp tweed com reverb.»

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1962 Fender Deluxe Amp // «É o amp para a ilha deserta – tem tudo o que precisam…»

1958 Fender Super // «Um amplificador tweed de qualidade estelar, com a quantidade perfeita de headroom, e que, num recente confronto, deu uma lição a um par de combos Marshall de 18 watts. Ou melhor, deu cabo deles.»

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1952 Gibson GA-75 //«O amp com melhor som de que nunca ouviram falar.»

1959 Gibson GA-83S //«O amp Gibson de que nunca ouviram falar, mas que existe mesmo… Os potenciómetros são os originais»

1958 Gibson GA-40 Les Paul // «O amp de conjugação das guitarras Les Paul. Excelente overdrive e mais económico que os Fender do mesmo género.»