AS10 | As Melhores Guitarras de 2019

AS10 | As Melhores Guitarras de 2019

Redacção

São os nomes crónicos nestas listas (assim se espera sempre) e, em 2019, a Fender arrasou e a Gibson esteve num tufão de polémicas. A Yamaha continua a capitalizar essas guitarras extraordinárias que são as Revstar. A lista é completa com alguns modelos semi ou hollow body e um par de lâminas de shred!

2019 foi um ano extraordinário para a Fender. Ultimamente, a marca tem tido bons anos, seja refrescando as suas gamas, seja nas apostas de assinatura, nos modelos Custom Shop ou nos modelos económicos. Mas este ano foi qualquer coisa. A marca não só reciclou a sua gama Classic, com as novas Vintera (MIM), como estreou a gama American Performer, que veio substituir os American Special Series como os instrumentos mais económicos Made in USA. Depois, ainda criou mais uma deslumbrante série de edição limitada e inovou, dentro dos seus conceitos tradicionais, com a vanguarda da gama American Ultra ou a Acoustasonic.

Como se isso não bastasse, nos pedais e nos amps, a marca californiana também não parou por um segundo, lançando novos modelos de Stan Cotey e ainda os Tone Master Series, que acabaram nas nossas escolhas de melhores amps do ano. Atenta às tendências actuais, a Fender iniciou também a comercialização de braços em Roasted Maple. Tanta actividade terá alguma relação festiva com o facto deste ano se celebrarem os 65 anos da Fender Stratocaster e reflecte-se nesta lista. Era inevitável.

A Gibson esteve mais “concentrada” a criar ou a debater-se com polémicas (a partir de Junho isso tornou-se o Pão Nosso de Cada Dia). Uma pena, porque a marca parece estar a fazer algumas coisas bem na sua reabilitação, principalmente nos modelos de preço mais acessível. A Yamaha ainda vai fazendo render essa coisa espectacular que foi a criação das Revstar e cada vez que há novidades nessa matéria o mais certo é, como agora, acabar numa lista de melhores do ano. Bom, adiante. Para a nossa redacção, estas são as melhores guitarras de 2019, sem ordem específica.

FENDER AMERICAN ULTRA STRATOCASTER | Luxuosa, com estilo e vanguardista, esta gama estabelece um novo padrão de precisão, performance e sensibilidade com os pickups Ultra Noiseless e os mais rápidos braços da Fender. O maior destaque, todavia, é a introdução de novos contornos nos formatos de corpo, um momento axiomático na história da própria marca, décadas após a introdução da Tele Stratocaster. Entre os avanços desta nova gama, destaca-se o novíssimo braço com perfil “Modern D”, com escala de raio composto, o suave acabamento acetinado American Ultra na face posterior e o intenso tratamento nas bordas laminadas. O resultado é um braço delgado e rápido, além de ergonómico e confortável, apto para solos resplandecentes ou facilitar frases de acompanhamento sem comprometer de forma alguma o som e ressonância tradicional da marca. Os pickups Ultra Noiseless são incrivelmente versáteis, particularmente no recurso ao switching S-1, e o treble bleed no circuito assegura que não se perde o carácter de agudos ao reduzir o volume. Mas há outras inovações que vale a pena olhar no artigo original.

PRS CE 24 SEMI-HOLLOW | Entre os modelos PRS de 2019, destaca-se a reformulação do modelo de assinatura do próprio Paul Reed Smith, o luthier que fundou a marca, bem como a CE 24 Semi-Hollow e a SE Custom 24 com acabamento Ziricote. Há ainda modelos SE acústicos. A CE original surgiu em 1988, oferecendo aos guitarristas o design e características tradicionais da PRS num sistema bolt-on neck. Tornou-se rapidamente num dos modelos de maior sucesso da PRS Guitars e em 2016 tornou a ser produzida. Este ano marcou a estreia de um modelo semi-hollow na gama. «A CE24 Semi-Hollow combina o “estalo” e o sustain das nossas guitarras de braço em maple aparafusado, mas acrescenta a ressonância de um corpo semi-hollow, criando uma voz singular. Cada um dos distribuidores que passou pela fábrica e testou os protótipos adorou a guitarra. Acreditamos que é uma novidade bastante singular ao nosso conjunto de modelos bolt-on», refere Jim Cullen, Director de Vendas da marca. Tem razão!

FENDER AMERICAN ACOUSTASONIC TELECASTER | Os sons da nova Telecaster são cortesia de uma tecnologia que a Fender espera patentear, o Stringed Instrument Resonance System, que pretende fornecer uma «voz naturalmente ampla com harmónicos vívidos». Esse sistema está acompanhado do Acoustic Engine, um design Fender e Fishman, que permite misturar tecnologias analógicas e digitais que optimizam o som natural da guitarra e depois modificam a ressonância de forma a obter uma apurada colecção de vozes. Estes sons podem ser misturados com o controlo Mod Knob e usados em simultâneo com o pickup magnético, livre de ruído, Fender Acoustasonic Noiseless. O instrumento, em si, apresenta um corpo Tele totalmente oco com o contorno do antebraço integrado. O braço suave é uma peça de mogno com acabamento de acetinado de poros abertos. Um dos fãs da guitarra, imediatamente após o seu lançamento, é Jack White. O modelo custom de White possui um acabamento laranja, guarda-unhas preto, tal como o headstock, que possui o logo Fender em laranja. Destacam-se as três flechas debaixo da ponte. Se quiserem saber mais sobre o gear actual de Jack White, podem fazê-lo na AS impressa #62. Uma edição onde estão os Raconteurs, as guitarras, os amps e os riffs de Brendan Benson e Jack White em “Help us Stranger”, numa entrevista EXCLUSIVA para o território nacional sobre o regresso da banda de Nashville.

FENDER VINTERA ’60s TELECASTER c/BIGSBY | Na antecâmara da Summer NAMM, a Fender anunciou a novíssima gama Vintera, que veio substituir a gama mexicana Classic Series. No total há 21 novos instrumentos que replicam guitarras e baixos das décadas de 50, 60 e 70, especificamente nos perfis de braços e nos novos pickups desenhados por Tim Shaw de acordo com os sons da época. Depois, cada modelo com especificações da sua década original tem também uma versão “modificada”, com características que não se encontram nos modelos originais. Como sucede numa das Teles, equipada com Bigsby. Um borracho disponível nas versões de corpo alder ou ash, com um par de single-coils ’60s Tele (num circuito “lead/rhythm”). O braço é em maple, com perfil “Early ‘60s C” e escala 7.25”, com 21 trastes tipo vintage. Com o progressivo recuo do rosewood nas guitarras da Fender, o material de escala é pau ferro. Os acabamentos são 3-Color Sunburst (modelo de alder) e White Blonde (modelo de ash). A guitarra é bastante versátil no que respeita ao som, com os pickups a soarem a mel em estilos country, blues ou rock clássico. Tem enorme sustain, que é moldado pelo Bigsby B50.

CHARVEL USA SELECT DK24 | A Charvel USA Select DK24 HH 2PT CM é um exótico instrumento “made in USA”. Evoca os primórdios da própria Charvel e foi meticulosamente trabalhada na Charvel Custom Shop, em Corona. Naturalmente, é um instrumento de alta performance. Os acabamentos disponíveis são Oxblood ou satin White. O corpo tem o formato Dinky e é em alder. O braço aparafusado em dois pontos é quartersawn maple, “caramelizado” para velocidade, reforçado com grafite e acabado com polimento manual em uretano. Nas costas do corpo, na junção com o braço, este está escavado para facilitar o acesso às notas agudas da escala. É uma guitarra que foi feita a pensar em shredding. A escala tem um raio composto de 12”-16” e possui as arestas limadas, 24 trastes jumbo em aço inoxidável, inlays em ponto pérola e nut Graph Tech TUSQ XL. Os pontos laterais Luminlay servem como referência até em palcos escuros, ao passo que o “volante” do truss rod montado no corno permite ajustar o braço de forma rápida e simples. O som (que se exige extraordinário) é debitado por uma configuração HH e consiste num Seymour Duncan Full Shred SH-10B (ponte)  e um Seymour Duncan Alnico II Pro APH-1N (braço). O pickup da ponte, o Full Shred, soa articuladop e com rugido natural de humbucker, já o calor amanteigado do Alnico II Pro dispensa apresentações.

YAMAHA REVSTAR RS502TFMX | Introduzida no mercado no final de 2015, a gama de guitarras eléctricas Revstar apresentou um novo conceito de design, naquilo que foi a maior actualização à forma clássica do corpo de guitarra Yamaha em mais de uma década. O novo design foi o culminar de três anos de desenvolvimento que, como é hábito na marca, incorporou informação de múltiplas entrevistas e opiniões de artistas profissionais, profissionais da indústria musical e amantes da guitarra em Londres, Los Angeles e Tóquio. O conceito visual abraçava aquele clássico e simplificado estilos das personalizadas motorizadas Café Racer, populares na Londres dos anos 60. Este ano surgiram novos modelos e a 502FMX é um borracho super económico. O seu par de single-coils, estilo soapbar, oferecem agressividade e articulação fenomenal. O seu som é “madeiroso” e cheio de ressonância e sustain. Depois Aquela tailpiece estilo steampunk vs. art déco… Linda! É o melhor dos modelos nesta lista na relação qualidade/preço.

GIBSON LES PAUL JUNIOR TRIBUTE DC | A linha de produção Gibson 2019 inclui os suspeitos do costume, mas há lugar a algumas surpresas, como a Les Paul Junior Tribute DC, a SG Standard ’61 e a SG Standard Tribute disponível num acabamento Natural Walnut. Por falar em acabamentos, estão de regresso alguns dos mais icónicos da marca, em modelos específicos, como o Seafom Fade, Blueberry Fade e Blueberry Burst. Les Paul Studio Tribute, Studio, Classic, Standard, Traditional e High Performance permanecem todos no novo alinhamento, ao passo que a SG mantém as versões Tribute, Standard, ’61 Reissue e High Performance. Mas um novo modelo criou enorme expectativa, desde o início: a Les Paul Junior DC (ou double cut). Este básico modelo de corpo sólido, em mogno, integra um singular P90 na posição da ponte, um novo design no pickguard e o seu preço é apontado aos cerca de 799 dólares. Uma pequena rocker, concentrada no essencial e um triunfo de engenharia minimalista. Para os que se queixam que as Gibson são sempre caras, o famoso logo da marca surge no headstock, em vez do logo Epiphone.

GIBSON ES-235 & ES-275T | Os especialistas hollowbody da fábrica de Memphis construíram dois novos modelos thinline para o ano de 2019, a ES-235 e a ES-275T. O primeiro (na foto) será a guitarra mais económica na gama ES e inspira-se nos modelos clássicos dos anos 50, como a ES-125, e possuem um cheirinho Les Paul. A ES-275T, num espectro mais alto da gama, apresenta um cutaway mais arredondado, similar aos modelos ’50s Byrdland ou ES-5. Ambos os novos modelos possuem um design com bloco central em maple e esteios em spruce. A escolha entre ambos, além do preço, tem mais que ver com o carácter. Se nos perguntassem, a nossa compra seria o modelo mais económico.

LTD TE-100 EVERTUNE | Um maquinão de shred em formato Tele. Esta LTD merece a atenção dos metalheads, tratando-se de uma arma fulminante para sonoridades de high-gaim, fruto também do seu par de humbuckers EMG, com circuito coil tap. A escala em sucedâneo de ébano carrega 24 trastes extra-jumbo. E nunca perde a afinação! Como disse? Bom, a ponte com a tecnologia EverTune, depois de configurada, permite que a guitarra receba sovas de bending e palhetadas com uma fúria muito para lá do normal. A sua capacidade de manter a afinação é, de facto, notável.

GRETSH ELECTROMATIC CENTER BLOCK DC c/BISGBY | 2019 é o ano em que se celebra o 15º aniversário da Custom Shop da Gretsch Guitars, efeméride que assinalamos em artigo que destaca a história e os modelos mais marcantes até aqui. Contudo, a célebre marca não se limita a apresentar modelos da Custom Shop, tendo também várias novidades nas linhas de produção normais. Já na Summer NAMM chegaram algumas actualizações e novidades que nos cativaram, principalmente uma delas. Viva e barulhenta, a popular G5622T Electromatic Center Block Double-Cut com Bigsby foi refrescada com novos pickups e acabamentos. Os novos Black Top Broad’Tron humbuckers na ponte e no braço permitem agudos harmoniosos com um som dinâmico e articulado. Outras características incluem a ponte Adjusto-Matic e o sistema de tremolo Bigsby B70. A G5622T vem em múltiplos acabamentos como Aspen Green, Dark Cherry Metallic ou Georgia Green com o pickguard cinzento e Imperial Stain ou Orange Stain com o pickguard dourado.